19/07/2021
Sinto falta de ter a minha casa, com as minhas coisinhas, modos e manias? Sinto!
Sinto falta de ver televisão no sofá no domingo, de conchinha, ouvindo as meninas pela casa? Sinto!
Mas não sinto nenhuma falta da rotina estressante que possibilitava pagar o aluguel da casa a 100 metros do metrô! Nem do medo de estar atrasada no caminho! Nem do engarrafamento! Nem do custo de vida altíssimo! Nem da dificuldade de olhar para o céu! Nem do medo da violência! Nem da desigualdade escancarada por todos os cantos!
Há três meses vivo fora do tempo cronológico, durmo cedo e acordo quando o corpo pede, como o que cozinho, acompanho ciclos naturais, construo novas familias mensais, me apaixono por novos olhares, faço as pazes com o tempo!
Sinto muita saudade da minha família, me culpo por não estar perto na hora do perrengue, mas me perdoo com gentileza! Sinto saudades dos amigos, mas ligações, mensagens, fotos, vídeos nos mantém conectados e presente!
Sinto saudade de algumas comidas mais rebuscadas, sabores mais refinados… mas estou ha 3 horas de estrada linda de Beagá! Onde amigos amáveis me recebem com festa e comidaiada e falaiada!
Projetos sensíveis me encontram melhor que gps e me acolhem! A escrita e a leitura viraram rotina! Krenak faz ainda mais sentido quando meus pés passeiam pelo córrego do Rio Xopotó que segue caminho para o Rio Doce! E como diz Nego Bispo, as águas não se encontram por coincidência, elas se encontram porque andam na mesma direção! E a roça segue sendo ponto de encontro de ideais coletivos!
Em setembro acho que vou arredar pra perto do mar… fazer escrevinhanças de maresia! E aproveitar a liberdade de ser um corpo em movimento!
Não é desabafo, são notas nômades! Tenho sentido vontade de falar sobre e deixo aqui aberto para interagirmos! Falaê!