20/07/2021
A KARNE É KRUA!
Então Pronto amigos, chegamos mais fortes na nossa 22° edição da nossa "DE QUINTA NA AKASHA" mais "pesada" que nunca. Difícil não dá spoiler. Pois bem, só para vocês terem um vaga idéia e uma mínima noção do que representa para mim e para a Dani, recebermos o Silvio Campos, vou tentar não ser prolixo com as palavras. Nesta já sabida "esquina virtual" o personagem em questão, ou melhor, personalidade, é ninguém menos que o fundador de uma das bandas punk rock mais longevas do Brasil, e considerada por uma verdadeira legião como um ícone do gênero. A KARNE KRUA. Nascida no menor estado do país, a banda hoje faz parte da história do rock no Brasil. Hoje, acreditem, no mundo. Trata-se da banda mais antiga do punk nordestino em atividade, se não me engano. São 36 anos de atividade ininterruptas. Sim, a Karne contínua mais crua e atemporal que nunca. Atualmente composta por: Lilo (guitarra e voz), Ivo Delmondes (baixo), Afonso Ramalho (bateria), e o jurássico Sílvio nos vocais. Sim, um dinossauro do rock e único da formação inicial. Foram várias. Uma escola. Três fatores são bem difíceis para mim precisar: quantos discos, apresentações e rolê (apresentações) da banda até aqui. A segunda, quantas bandas a Karne ajudou a fundar e quantas bandas o Silvio toca hoje. E a terceira: o que seria da cena sergipana e o punk rock nordestino, sem a existência, colaboração e manutenção do movimento, sem o Sílvio e a loja FREEDOM (resistente reduto). Sim, afirmo: o cara é uma lenda viva. Podem crer. O tempo pra ele corre. Corre muito. Ele sabe o valor do tempo e tem plena noção de algo muito raro nos dias de hoje, responsabilidade social.
Voltando a Karne, todos os anos nessa longa e árida estrada, nos traz algo repaginado. Formada em 1985, surgiu como quase toda banda com proposições semelhantes: Fruto da insatisfação sistêmica e inquietação dos que buscam a transformação social, e a inclusão tendo a música e as dinâmicas grupais como ferramenta transformadora do tecido conjuntivo da sociedade. "(...) só se conhecia música rock em Aracaju via bandas de baile - o que não constituía uma cena ou postura independente. O rock inicialmente foi o maior influenciador naquele momento, tudo que tinha uma ligação ao rock era algo novo e subversivo, depois tomamos um rumo e estilo" pontua Silvio.
Bem, havia dito que não daria spoiler. Mesmo estando envolvido até o pescoço com a história em questão. Confesso, não trata-se de uma tarefa fácil a minha memória não viajar no tempo e ativar compulsivamente o dedo ao teclado. Porém, não me privarei das minhas melhores sinapses. Prometo ser breve para vocês terem uma mínima e superficial noção do que representa a atividade desse hoje irmão (mestre) para a minha própria formação, sensibilização e formação enquanto ativista social (artista).
Quando eu tinha uns 18 anos, como todo jovem "ovelha negra" poucas coisas na escola, na cidade, na família e no sistema respondia as minhas questões mais agudas. Naquela altura, nada me trazia algo novo de fato. Algo que me fizesse sentido estava bem distante da minha realidade em uma pequena cidade. Bem pequena por sinal. Eis que em 1990, por intermédio de um grande amigo em comum, hoje um irmão, Rony Bernardo, um pouco mais tarde passou a ser o baterista em uma das várias formações da banda. Dai, passará de cliente da antiga Lokaos, hoje Freedom, a uma espécie de seguidor da banda e aprendiz do movimento Anarco Punk. Assim, me aproximará do Sílvio e passei a literalmente fazer parte do movimento. Um divisor de águas para mim. Então, passei a ter um objetivo social. Lutar contra tudo que a minha jovem rebeldia achava injusto. Era uma época de uma contra cultura muito latente. A nossa orientação era o Anarquismo. Assim, me dei conta bem cedo, que fazia parte da vanguarda mais interessante da cidade. Hoje uma irmandade. Mas, foi lá em 1990, que vi o Sílvio como todo bom punk, editar diversos fanzines e contribuir com vários outros. Ali, descobrir a funcionalidade da arte e da impressão. Sim, como diz o poeta: "só sei que foi assim" portanto, grande parte do que sou hoje, nasceu lá. No balcão da loja onde comprei o meu primeiro disco de rock (Machine Head
Álbum de estúdio de Deep Purple).
O fato é que a vida e obra do Sílvio dispensaria retóricas se não trata-se de parte da minha própria história.
Portanto meus nobres, essa "DE QUINTA NA AKASHA" É imensurável para mim. A história se encarrega de todo o resto. Sim, é imperdível!
* Anderson Camilo ( BH )
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