14/09/2026
Você banca ser a vilã?
Num mundo em que precisamos constantemente desaprender a ser o que esperam de nós enquanto mulheres, com todas as armadilhas da socialização à espreita, você banca ser a vilã?
Bancar ser a vilā é assumir as consequências de honrar sua raiva, seus limites, seus nãos, suas denúncias, suas necessidades, seus desejos, os desconfortos que você devolve, as verdades que preferiam que você não dissesse.
Você banca?
Ou se justifica incansavelmente, sente culpa mesmo quando reconhece que fez o correto, tenta se explicar e convencer quem nem está interessado em te ouvir, implora pra ser compreendida, se inunda de vergonha, se vitimiza, se arrepende… “ah, eu devia mesmo era ter ficado quieta”?
Banca, mulher!
Isso não significa ser cruel, nem significa não se responsabilizar ou reivindicar indiscriminadamente para si o lugar da razão. Também não significa achar que violência é virtude e empoderamento é ignorar a alteridade. Não é desconsiderar o impacto que se produz, ou tomar o próprio desejo como medida absoluta.
Isso aqui não é um elogio à vilania, é uma crítica à compulsão feminina pela inocência, docilidade, aprovação e inteligibilidade diante do outro. Às vezes, tornar-se a vilã da história de alguém é o preço de tomar sua história de volta pra si.
Imagina quanta coisa a gente ousaria fazer se corrêssemos o risco de nos tornar a vilã e… tudo bem? Imagina quando sapo você teria evitado engolir, e o tanto de nó na garganta! Pensa nas pequenas grandes revoluções possíveis em saber o que se sabe, em saber quem se é, e não mais barganhar migalhas de apreciação, reconhecimento, pertencimento, conveniência?
Que exercício (desafiante, corajoso e permanente) da gente deixar de organizar a própria vida em torno da necessidade de permanecer inocente aos olhos dos outros….