02/12/2019
PARAISÓPOLIS: A NECROPOLITICA E A OMISSÃO DO DIREITO À CIDADE NOS TERRITÓRIOS DAS FAVELAS
Mais um caso sobre mortes da juventude negra e periférica dos territórios das favelas em contrariedade com os argumentos dos policiais, onde nove jovens morreram pisoteados em um dos maiores bailes funk’s de São Paulo, o DZ7, na Zona Sul. Os policiais argumentam contrariamente aos relatos dos moradores em relação aos acontecimentos. Na fala dos policiais, dois homens iniciaram o confronto com tiros contra os agentes da Ronda Ostensiva com Apoio de Motociclistas e posteriormente fugiram para dentro do Baile Funk. Os moradores argumentam que não é de agora que tem acontecido entradas violentas em Paraisópolis durantes os Bailes Funk’s.
Observa-se, há muito tempo, o não serviço da policia em servir a população com segurança pública e o mantimento da ordem. A questão a ser levantada dentro desse contexto é: quem avalia os comportamentos policiais ? A necropolitica (segundo a pesquisadora Rosane Borges, o conceito de necropolitica está em total relação com o racismo, a ideia de eliminação de um inimigo e as favelas, como territórios considerados pela regulação urbanística formal como não cidade, ou expressa e pesquisada inicialmente pelo filosofo negro, historiador, teórico político e professor universitário camaronense Achille Mbembe, que em 2003, escreveu um ensaio questionando os limites da soberania quando o Estado escolhe quem deve viver e quem deve morrer) que tem coordenado o nosso país ? Certamente. A morte dos nove jovens foi de total responsabilidade da política de extermínio que coordena o nosso país. Essa que tem como sua extensão fidelizada uma significativa parte dos policiais, que é o processo continuo de açoite colonial, segundo a Urbanista negra Joice Berth, é programado para aniquilar a população pobre e preta.
Quando discutimos as relações do Direito à Cidade nos territórios das favelas, e especificamente, a apropriação territorial das pessoas desse e nesse território, os bailes funk’s surgem como iniciativas de lazer, recreação e renda para os moradores da região, levando em conta que as famílias encontram potencialidades econômicas para o seu mantimento diário, com venda de bebidas e comidas para os que ali estão, proporcionando uma extensão das determinantes recreativas e de lazer. A juventude dos territórios periféricos sofrem com a falta do Direito à cidade e o acesso aos equipamentos públicos de lazer e recreação em seus territórios, e como reação positiva contra essa omissão do Estado de oferecer recreação, desenvolvem estratégias culturais, que atigem proporções socialmente altas nesses espaços, para que possam resgatar tudo aquilo que a cidade considerada formal pela regulação urbanística, não propõem para eles, como: equipamentos públicos com potenciais recreativos, trabalho próximo aos seus locais de moradia, direito à moradia adequada, saneamento básico, direito à alimentação de qualidade e adequada, direito à cidade e os demais acessos e direitos que são de total responsabilidade do Estado de suprir para a população dos territórios das favelas e periféricos.
Quando questionamos os aspectos das politicas de segurança publica, “a gente vê hoje um Estado que adota a política de morte, o uso ilegítimos da força, o extermínio, a política de inimizade. Que faz a divisão entre amigo e inimigo. É o que a gente vê, por exemplo, nos territórios das favelas, nas periferias das grandes cidades brasileiras. Nossa policia substitui o capitão do mato.” (Borges, Rosana. O que é necropolitica e como se aplica a segurança publica no Brasil. 2019)
Existe, nitidamente, uma crítica ra***ta contra os bailes funk’s, inicialmente apontando o desenvolvimento das letras sexistas, pela qual precisamos combater em todos os setores da sociedade, que são atravessados com machismo, patriarcado e racismo. Entretanto, sabemos que esses “apontamentos” tem como objetivo principal inferiorizar e desqualificar as produções culturais e a própria cultura periférica, como já fizeram anteriormente com diferentes expressões dos territórios das favelas e periferias.
As favelas são as expressões efetivas de resistência e luta da população pobre, preta e periférica, e por esse motivo é alvo das “balas perdidas”, que de “perdidas” não tem nada, porque encontram corpos, e esses corpos são pretos. Corpos pretos de crianças, jovens, adultos e idosos. Corpos pretos que recebem em suas costas os chicotes dos homens brancos que machucam e sangram. Corpos pretos que estão sendo exterminados.
Marcos Paulo Oliveira dos Santos, PRESENTE!
Denys Henrique Quirino da Silva, PRESENTE!
Dennys Guilherme dos Santos Franca, PRESENTE!
Gustavo Cruz Xacier, PRESENTE!
Gabriel Rogério de Moraes, PRESENTE!
Mateus dos Santos Costa, PRESENTE!
Bruno Gabriel dos Santos, PRESENTE!
Eduardo Silva, PRESENTE!
Luara Victoria de Oliveira, PRESENTE!
Renan Mendes é Arquiteto e Urbanista em formação. Militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e da Rede Ecumênica da Juventude.