Cláudio Nunes de Morais - Revisor de texto

Cláudio Nunes de Morais - Revisor de texto Para o MiniCurrículo de Cláudio Nunes de Morais, siga o link ou clique nesta publicação: "Veja como uma simples vírgula
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21/12/2025

Estou pensando na vírgula do vocativo (vamos dizer assim).
Quando você começa uma mensagem pelo WhatsApp, por exemplo, e diz "bom dia" a alguém, você coloca ou não coloca uma vírgula entre o "bom dia" e o nome desse alguém? Por quê? Pois bem, esse é o assunto de que falaremos na nossa próximo aulinha. Até lá!

02/11/2025
CONVERSA DE REVISORE tem também aquela pessoa que te contratou para rever um livro organizado por ela e que, um belo dia...
27/02/2022

CONVERSA DE REVISOR

E tem também aquela pessoa que te contratou para rever um livro organizado por ela e que, um belo dia, te manda pelo correio um exemplar do dito livro, editado por uma das melhores “gráficas” da cidade.
São 379 páginas nas quais você, de fato, trabalhou, fazendo a preparação do texto e sua revisão.
Na ficha técnica está o seu nome, com todas as letras – Revisão: Cláudio Nunes de Morais.
Acontece que o organizador acrescentou 3 (três) páginas ao volume, três páginas que você nunca viu na vida.
E lá estão: primeiro, um “ã” (ou: um til no lugar de um acento grave, indicador de crase); depois, um erro de concordância, pois saiu “carisma passionistas” (no plural), em vez de “carisma passionista” (no singular); e, finalmente, uma vírgula que separa o verbo do complemento (página 381, parágrafo 2), erro crasso de Português.
Pois bem: quem lê o livro e vê tais “erros” pensa que eles foram cometidos pelo revisor Cláudio Nunes de Morais, já que na ficha técnica só aparece o nome de um (único) revisor.
Conclusão (primeira): escrever ao organizador da publicação contando a ele que o livro saiu com “erros”, apontar e explicar tais erros e pedir a ele que imprima uma errata para o volume.
Das duas, uma: ou essa errata será feita, nos livrando da “autoria” de três pequenos “crimes” que não cometemos, ou essa errata não será feita, e seremos vistos pelo leitor mais atento como autores dessas três “falhas”, o que, automaticamente, nos “rotulará” como “bom revisor, mas não tanto, achei três erros nas últimas páginas do livro” (palavras do leitor atento com seus botões).
Conclusão final: ossos do ofício.

15/06/2021

O POETA E A REVISÃO

“Outro dia” (maneira de falar, isso já deve ter mais de 3 anos), o revisor de uma conhecida editora fez uma mudança drástica e infeliz em um belo poema, um poema inédito e integralmente escrito em heptassílabos, e transformou o verso “que me leve pra areia” no seguinte: “que me leve para a areia”, dando a entender que esse “pra areia” estaria errado em termos de versificação e que seria, portanto, um pé-quebrado.
Esse tipo é um dos piores revisores que pululam por aí, é aquele sujeito que, para "mostrar serviço", mete a caneta vermelha em quase todas as páginas de um livro finíssimo (nos dois sentidos), mudando palavras em quase todos os poemas, numa preparação de texto totalmente egocêntrica e desrespeitosa ao autor, em um livro que já tinha sido revisto e que não continha nenhum erro (nem um!), quanto menos de Português.
Pois bem: nesse caso, o terceiro verso da terceira estrofe do poema “Lira romantiquinha”, de Carlos Drummond de Andrade, também estaria "errado", conteria um erro de versificação, um pé-quebrado:

Por que cultivas
as sem-perfume
e agressivas
flores do ciúme?

Pergunta: quem seria capaz de ser tão mau leitor (e péssimo revisor), a ponto de ligar esse “e” ao “a” da palavra “agressivas” e ler o verso assim: “eAgressivas”, em vez de lê-lo assim: e / a-gres-si(-vas)...?? Resposta: esse revisor, que não entende nada de revisão (nem de versificação), quanto menos de poesia.

O CERTO E O ERRADOSão palavras do linguista Marcos Bagno:“Ninguém comete erros ao falar sua própria língua materna, assi...
24/04/2021

O CERTO E O ERRADO

São palavras do linguista Marcos Bagno:

“Ninguém comete erros ao falar sua própria língua materna, assim como ninguém comete erros ao andar ou ao respirar. Só se erra naquilo que é aprendido, naquilo que constitui um saber secundário, obtido por meio de treinamento, prática e memorização: erra-se ao tocar piano, erra-se ao dar um comando ao computador, erra-se ao falar/escrever uma língua estrangeira. A ‘língua materna’ não é um saber desse tipo: ela é ‘adquirida’ pela criança desde o útero, é absorvida junto com o leite materno. Por isso, qualquer criança entre os 4 e 5 anos de idade (se não menos) já domina plenamente a gramática de sua língua.”

Estas palavras, de Marcos Bagno, estão na página 149 da 50ª edição (de 2008) do livro “Preconceito linguístico”, de sua autoria, publicado pelas Edições Loyola, e que indicamos (efusivamente!) ao leitor (a 1ª edição é de 1999).

Como se sabe, o preconceito linguístico tem como base os conceitos equivocados de certo e errado e geralmente passa “batido”, ou é ignorado pela maioria das pessoas, embora seja tão abominável quanto qualquer tipo de preconceito – racismo, homofobia, etc.

Pensando, por exemplo, no verbo amar e em seus usos, sabemos que no Nordeste do Brasil se diz “eu lhe amo”, enquanto em Minas, Rio, São Paulo e outros lugares dizemos “eu te amo”.

É claro que, para a gramática normativa, a forma correta é “eu te amo”, mas nem só de gramáticas vive a Língua, a gramática é apenas a chamada forma “exemplar”, ou melhor, a gramática é a forma eleita entre as várias formas de falar que constituem a Língua, e justamente por esta razão não se pode dizer que o “eleito” seja correto ou incorreto (certo ou errado), o eleito é apenas um uso que está em consonância com a etiqueta social, digamos assim.

E, como o “certo” e o “errado” são juízos de valor, quem afirma que a forma “eu lhe amo” está incorreta afirma também que as pessoas do Nordeste brasileiro falam errado e, assim, ao fazer tais afirmações, está simplesmente colocando na vitrine toda a sua ignorância a respeito do que vem a ser, com todas as letras, o título do livro com o qual começamos esta aulinha (o detestável, o deplorável, o abominável): preconceito linguístico.

AINDA SOBRE “O CERTO E O ERRADO” Assim como não existe o modelo de Língua “certa” prescrito pelas gramáticas normativas,...
18/08/2019

AINDA SOBRE “O CERTO E O ERRADO”

Assim como não existe o modelo de Língua “certa” prescrito pelas gramáticas normativas, pois, como bem sabemos, a Língua não se resume ao chamado Português Culto, ou Norma Culta, ou ainda Norma-Padrão, é fundamental que qualquer pessoa que se dedique ao estudo da Língua Portuguesa saiba que não existe uma gramática portuguesa, existem várias, justamente porque o estudo da Língua não pode se reduzir a um organismo fechado, já que a matéria em si é dinâmica e, deste modo, nossas gramáticas não são apenas deficientes e às vezes contraditórias, mas também discordam entre si.

Por isso mesmo, todo concurso público digno desse nome deve fazer constar de seu edital a bibliografia de sua prova de Português, ou não será concurso de coisíssima alguma, e sim uma tremenda de uma “marmelada”, como se diz na Língua do povo.

É óbvio que um preparador de originais (familiarmente chamado de “revisor de texto”) deve conhecer ao máximo a chamada Norma Culta, mas isso não quer dizer que esse mesmo profissional da palavra deva proceder como os gramáticos do século passado, imitados, aliás, por muitíssimos professores de Português até hoje, verdadeiros tiranos, por tanta imposição de autoritarismo.

E o pior dessa história é que os gramáticos de ontem eram autoritários mas conheciam (mesmo!) muita coisa sobre a Língua, enquanto os autoritários de hoje (ufa!) não passam de “papagaios”, repetindo ad infinitum a mesma lenga-lenga daquele cara que ouviu o galo cantar sem saber “onde”...

Voltando aos (gramáticos) da antiga, um Napoleão Mendes de Almeida, por exemplo, era o protótipo do sujeito caturra, é verdade, mas seria total injustiça dizer que o Prof. Napoleão não conhecia profundamente o Português que ensinava.

E, finalizando (por enquanto) a conversa, voltamos ao linguista Marcos Bagno (já citado em nossa primeira aula sobre “o certo e o errado”), para, desta vez, apresentar ao leitor mais um de seus livros, intitulado “A norma oculta: língua e poder na sociedade brasileira” (Parábola, 2003), e ilustrar com estas palavras de Mário A. Perini o que acabamos de dizer logo acima:

“Neste livro, Marcos Bagno (...) trata do ensino de português como fonte de complexo de inferioridade para a imensa maioria da população brasileira, e de como a escola, a imprensa e os intelectuais contribuem para reforçar esse complexo.”

MORAIS, Cláudio Nunes de. "Eu, p**n. pess," (1982), republicado em "Quarteto" (Belo Horizonte: Rona, 2012). ISBN 978-85-...
18/08/2019

MORAIS, Cláudio Nunes de. "Eu, p**n. pess," (1982), republicado em "Quarteto" (Belo Horizonte: Rona, 2012). ISBN 978-85-62805-03-5

TODA (A) POESIASerá indiferente escrever "toda poesia" e "toda a poesia"?Não: no Português moderno existe clara distinçã...
13/02/2019

TODA (A) POESIA

Será indiferente escrever "toda poesia" e "toda a poesia"?

Não: no Português moderno existe clara distinção entre as palavras "todo, toda" e "todo o, toda a", pois "todo" significa "qualquer" e "todo o" significa "inteiro".

Exemplos:
Lia “todo jornal” que encontrasse ( = “qualquer” jornal que encontrasse). / Leu “todo o livro” ( = o livro “inteiro”).

Alô, editoras Record, José Olympio e Companhia das Letras!

A CRASE SEM CRISE“A crase sem crise” é o nome de um livro (de 126 p.) que indicamos ao leitor. Seu autor é Cliceu Laibid...
12/12/2018

A CRASE SEM CRISE

“A crase sem crise” é o nome de um livro (de 126 p.) que indicamos ao leitor. Seu autor é Cliceu Laibida (Blumenau: Edifurb, 2009).
Outro livro sobre a crase (145 p.), que também indicamos ao leitor, chama-se “Decifrando a crase”, de Celso Pedro Luft (São Paulo: Globo, 2005).

Mas o que é a crase? E por que (motivo) não existe crase antes de palavras masculinas?

Resposta para a primeira pergunta: crase é a contração da preposição “a” com o artigo “a(s)”, ou com os p**nomes demonstrativos “a(s), aquele(s), aquela(s), aquilo”.

Pois bem, mas o que é contração? E preposição? E artigo? E p**nome? E p**nome demonstrativo?

Calma lá, leitor, calma lá, não estamos diante de nenhum bicho de sete cabeças.

Vejamos, primeiramente, a preposição: “Palavra invariável que liga outras palavras, estabelecendo relação entre elas” (Mattos: Laibida). Exemplos (de, a, com): Ela gosta “de” chocolate. Fomos “a” Brasília. Estamos “com” saudade.

E, avisando o leitor de que deixaremos as definições de “p**nome” e “p**nome demonstrativo” para uma segunda Aulinha sobre a crase, passamos agora ao “artigo” (e perguntamos): o que é artigo?

Ora, os artigos definidos são as palavrinhas “o, a” e seus plurais, “os, as”, e são os únicos que aqui nos interessam para esta introdução ao estudo da crase. Quanto aos artigos indefinidos (um, uma, uns, umas), pedimos que continuem onde estão, ou seja, “em estado de dicionário”, como disse o poeta.

Mas e a “contração”? O que vem a ser uma contração?

Oh! sim, a contração. É verdade... vamos a ela.

Antes, porém, uma advertência: é preciso saber distinguir “contração” e “combinação”.

Na frase: Antônio e Manuela foram “ao” teatro, esse “ao” é uma combinação do artigo masculino "o" com a preposição “a”, que acompanha o verbo “ir” (ir a). E, aqui, devemos notar que, obviamente, não poderia haver perda de fonema por parte da preposição, um simples “a”.

Já nas contrações:
de + a = da,
de + as = das,
de + o = dos,
de + os = dos,
houve perda de fonema por parte da preposição “de”, que perdeu o “e” em todos os exemplos acima, transformando-se em “do, da” e seus plurais.

Ufa! E, finalmente, eis que temos a faca e o queijo na mão para entender (e explicar) a primeira pergunta da nossa Aulinha: o que é a crase?

Resposta: crase é o nome que se dá à “contração” (oral ou escrita) de dois “aa” e, nesse caso, o primeiro “a” é uma preposição, e o segundo “a” é um artigo.
Sim, esse fenômeno recebe o nome de crase e é marcado com o acento grave (`), acento indicador de crase, ou sinal de crase.
Claro está que, em bom Português, nenhum “a” tem crase, e sim acento grave. Não devemos confundir crase com acento grave.
Na frase:
A menina foi à sapataria, temos alguém (a menina) que vai a algum lugar, e na construção “ir a” (foi a) esse “a” é uma preposição, inseparável do verbo “ir” nesse caso.

Já a “sapataria” é um substantivo que, digamos assim, “necessita” de um “a” (artigo), para ter um sentido mais completo em uma frase como, por exemplo, “A sapataria foi reformada”. Soaria estranho dizer: “Sapataria foi reformada”, não?

Vamos agora decompor a nossa frase em duas partes, para melhor explicar o fenômeno da crase.

Parte um: A menina foi a (esse primeiro “a” é preposição) + parte dois: “a” sapataria (e esse segundo “a” é artigo).
Diremos então:
A menina foi a a sapataria. (O primeiro “a” equivale a “para, e o segundo “a” equivale ao “a” mesmo.)

E eis aqui a crase, nada mais e nada menos do que a contração (ou fusão) de dois “aa” arrematados por um acento grave (`):
A menina foi à sapataria.

E, passando agora à segunda pergunta da nossa Aulinha (“E por que (motivo) não existe crase antes de palavras masculinas?”), ficou fácil ver que, em frases como “Eu vou ao mercado”, o “a” preposição de “ir a” não vai se contrair com um artigo masculino (“o”), e sim combinar-se com esse artigo, formando a palavra “ao”.
Ninguém dirá: Eu vou a + a mercado, transformando o mercado em palavra feminina; diremos sempre: Eu vou ao mercado.

Quanto aos casos da existência de crase antes de palavras masculinas, é verdade que diremos coisas como:
“A maioria dos homens daquela festa usava barba à Cristo”.

Explicação para o fenômeno: temos subentendida aí a expressão “moda de”, ou “maneira de”.

A maioria dos homens daquela festa usava barba à (moda de) Cristo.

A maioria dos homens daquela festa usava barba à (maneira de) Cristo.

MORAIS, Cláudio Nunes de. Quarteto. Belo Horizonte: Rona Editora, 2012. 104 p. ISBN 978-85-62805-03-5
07/12/2018

MORAIS, Cláudio Nunes de. Quarteto. Belo Horizonte: Rona Editora, 2012. 104 p. ISBN 978-85-62805-03-5

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