25/07/2017
Desde os primórdios da sociedade o homem tirava da terra o seu alimento e/ou sustento de sua família. Estudos arqueológicos, etnográficos e históricos mostram que ao mesmo tempo, em várias partes do mundo, o homem passou a mexer na terra com o objetivo de se alimentar, que é o que conhecemos como Agricultura: uma arte, a arte de cultivar a terra.
No Dia do Agricultor, é interessante conhecer um pouco mais sobre essa importante e antiquíssima atividade humana.
Ele já foi chamado pelo mais variados termos: camponês, lavrador, agricultor de subsistência, pequeno produtor, agricultor familiar. A evolução social e as transformações sofridas por esta categoria são conseqüências de uma nova situação deste trabalhador fundamental para o desenvolvimento do País.
Existem dois projetos para o campo com focos diferentes no Brasil. O primeiro prevê a expansão da produção em escala, da monocultura, da agricultura industrial e, o segundo, enfatiza aspectos ambientais e sociais do processo de desenvolvimento, com que se denomina sustentabilidade do desenvolvimento rural, equilibrando condições sociais, econômicas e ambientais.
Nesse sentido, levando em consideração o segundo projeto ao qual vivenciamos e lutamos dia-a-dia para garantir melhores condições de vida e de permanência ao agricultor e sua família. Mas é preciso ter os olhos no futuro, sabendo que é fundamental avançar. Temos a necessidade de um conjunto de políticas para garantir renda aos agricultores familiares. Atualmente o valor obtido pelos produtos vendidos não cobre os custos de produção. Isso se deve ao alto preço dos insumos, entre eles o adubo, calcário, sementes, óleo diesel, e ao baixo preço recebido na comercialização.
Compreendo a Agricultura Familiar como um fator estratégico para a segurança e soberania alimentar do país, por produzir 70% dos alimentos consumidos, como constatado pelo último censo do IBGE, nos preocupa muito a sucessão na agricultura familiar, onde alguns estudos apontam que 30% das propriedades não têm sucessor, pelo desestímulo dos jovens em permanecer na atividade rural;
A juventude não está mais disposta a trabalhar de sol a sol, domingos e feriados, na chuva, no frio e no calor, numa atividade penosa e que exige muito esforço físico. E ainda ter a incerteza das catástrofes climáticas ou a exploração do mercado;
Países desenvolvidos subsidiam a agricultura há décadas por terem clareza da sua importância. No Brasil, é preciso urgência em implementar um conjunto de ações nas áreas econômica, social, política, cultural, ambiental e de lazer que resgate e valorize este setor e assegure pagamento justo aos produtos. É essencial estabelecer mecanismos de proteção e viabilidade, assumindo que o mercado por si só não resolve. Quem produz deve ganhar por isto, e quem consome deve pagar um preço justo e adequado;
O apoio à agricultura familiar é estratégico pelo seu potencial estruturador e dinamizador do desenvolvimento, pela produção de alimentos, geração de trabalho e renda de forma descentralizada e preservação ambiental e da biodiversidade. Viabilizar os atuais produtores é garantir a sucessão nas propriedades familiares;
Educação e inclusão digital devem fazer parte destas ações de estímulo à permanência no meio rural. São elementos importantes para a capacitação e a integração com novas tecnologias;
Compensar quem preserva o meio ambiente é outro desafio que temos na área de políticas públicas. Punir os transgressores é necessário, mas é importante premiar quem destina parte de sua área rural para o usufruto comum;
O endividamento dos agricultores é um fator de transtorno que impede novos financiamentos. É preciso renegociar as dívidas de modo coletivo e possibilitar crédito.
Temos que avançar. Estamos desafiados e comprometidos a seguir nesta caminhada para ampliar a qualidade de vida de quem alimenta a cidade e esta grande nação brasileira.
Aos agricultores e agricultoras familiares, jovens, homens e mulheres que trabalham e dedicam sua força e atenção a esta importante e fundamental atividade, nossa homenagem!!!