11/02/2026
Finalizei a parte de • O Sargento Getúlio • tocada com o dito, vê se pode. Coisas de João Ubaldo… só ele para me comover com uma espécie de jagunço, nesse caso, militar.
Getúlio é um “homem macho” que obedece sem pestanejar, racionar, muito menos analisar e recebe a missão de levar um preso político, de Paulo Afonso (BA) até Aracaju (SE). A função se torna uma saga, que vive junto com Amaro- o motorista que o acompanha e que acaba sendo considerado um grande amigo, sendo este um detalhe importante e digo, relacionado ao momento em que o brutamontes me cativou- já que uma reviravolta na ordem acontece e uma confusão cheia de matança se instala. De cumpridor da ordem, o Sargento se torna inimigo da ordem… e não por sua culpa (e aí também, é fácil a gente acabar tomando o capanga como coitado).
Eles são de, e vivem, uma realidade paralela, sendo o livro recheado de elementos fantásticos e também é repleto de regionalismo, cultura nordestina, um linguajar peculiar, muita sátira, mas também emotividade e uma profundidade psicológica no universo do protagonista.
Essa epopeia é narrada pelo próprio e, além de acompanharmos essa trajetória surreal, mergulhamos nos pensamentos incessantes de Getúlio, nas reflexões e auto-análises, com sua visão bastante limitada e, com surpresa- pelo seu perfil bruto, preconceituoso- até encontramos nele uma pureza, mesmo por conta da ignorância e da teimosia em aceitar os fatos.
Eu adoro a escrita e as ideias de Ubaldo e esse livro é por demais interessante, inteligente, criativo e divertido, com um que de drama. Claro que recomendo, mesmo não sendo um livro fácil, assim como outras obras dele.
O livro rendeu ao autor o prêmio Jabuti (revelação, sendo este o seu segundo), foi e é um marco! Na década de 70, em pleno regime passar com um enredo, ideias e personagens desses
Tem adendo massa nos comentários, também sobre as fotos ✨