Outras Palavras

Outras Palavras .Livros. O bem estar na natureza. As belezas escondidas no cotidiano ⋒ Combinação que dá um belo enredo
✺Resenhas, fotos e devaneios
📖Orlando V. Wolf

Micareta de aniversário Mergulho no clássico que nunca morre e poder entender Kafka já de outra maneira, hoje em dia Ris...
01/03/2026

Micareta de aniversário
Mergulho no clássico que nunca morre e poder entender Kafka já de outra maneira, hoje em dia
Risos e emoções com João Ubaldo Ribeiro (Sargento Getúlio me levou para direções que eu não esperava)
2 livros em 1 com o rei de Itaparica
Banhos de rio e de mar, pé na areia, mergulho que é banho sagrado, sol-sombra-e água fresca sob e sobre as rochas
Belas aquisições de sebo, um hábito saudável mantido
Encontros e reencontros, amor, dedicação, carinho, amizade, muitas trocas, partilhas aqui e acolá, com e sem registros
Novos amanheceres e entardeceres
Termino acompanhada de três mulheres sagazes, audazes, inteligentes, que me trazem leituras tão divergentes, mas com o feminino no centro
Fevereiro, dos melhores tempos para se viver e nascer 🌈

Última semana de fevereiro… com duas mulheres poderosas e relevantes me fazendo muito boa companhia. Ainda lendo • O Seg...
26/02/2026

Última semana de fevereiro… com duas mulheres poderosas e relevantes me fazendo muito boa companhia.

Ainda lendo • O Segundo S**o - vol. 1 • a obra prima de Simone de Beauvoir ⚡️
Um trabalho primoroso de pesquisa e de escrita, sobre a condição de ser mulher nesse planeta, desde tempos remotos- e até hoje em dia, seguimos na luta por viver e não somente sobreviver. Questões socioeconômicas, religiosas, dentre outras foram tão deturpadas e usadas como instrumentos de poder e nós, renegadas ao gênero que não é igualmente (longe disso) nivelado ao masculino. Leitura interessantíssima, mas que para mim, tem que ser degustada, lida com calma e assim leva mais tempo- leio ao longo da leitura de outros livros.

A outra super mulher que me traz, ainda nesse mês, outra leitura especial (sempre) é Isabel Allende, com uma narrativa que já me parece que será mais uma marcante, como todas as suas que já li. Não se deixe impressionar pela capa- fico sem entender a razão de todos os livros dela terem capas tão ruins. Se não fosse por ser ela quem é, eu, que sou dessas que se impressiona tanto com esses cartões de visita dos livros, muito provavelmente perderia a chance de ser tão feliz conhecendo suas histórias.

Gregor tem um emprego de caixeiro viajante e carrega a família nas costas. Não suporta seu trabalho, o acha maçante, se ...
23/02/2026

Gregor tem um emprego de caixeiro viajante e carrega a família nas costas. Não suporta seu trabalho, o acha maçante, se sente muito desvalorizado, apesar de seu comprometimento. Em uma manhã acorda transformado, ou se sente uma criatura muito diferente- na metamorfose figurativa, agora é uma barata. No início a sua preocupação ainda é em chegar ao trabalho a tempo e não pode faltar, não pode parar de servir, não se pode permitir parar essa roda sócio-econômica e familiar. Seus esforços são tremendos para se adaptar, fazer o que tem que ser feito, mesmo agora, estando limitado, cansado, com algo em si que mudou, para além da sua consciência e ação.
Quando o gerente chega à sua casa para cobrar o seu atraso e falta, rapidamente passa a proferir ameaças, críticas a Gregor, mesmo que ele tendo sempre sido um empregado exemplar e lucrativo. Todos então se deparam com a nova realidade dele e tudo muda de figura. A metamorfose acontece não somente com o protagonista, mas, também nas relações com a sua família, na dinâmica da vida deles todos e na própria estrutura física da casa. Para quem nunca leu, paro por aqui para não contar como transcorre esse rol de novidades, nem como termina. Vale a pena ler!
Esse livro, um clássico que se mantém ativo e contundente até os dias atuais (foi escrito em 1914 e publicado em m 1915). É desconcertante, desconfortável e no entanto não consegui demorar para finalizar. A teia de metáforas, críticas de cunho social, político e comportamental,
de relações, é contagiante- ficamos presos na narrativa tão ativa.
De uma forma figurativa, mas tão direta, Kafka mexe com os nossos sentimentos e com a nossa consciência, ao falar sobre a desimportância quando não se tem o que oferecer como antes, a substituição fácil por quem pode prover ou ser útil aos interesses de outros. A crítica ao abuso, também ao capitalismo, a validação do outro a partir deste parâmetro e o seu fácil descarte quando a pessoa deixa de servir para o conforto alheio. Traz também a inadequação e a adaptação forçado aonde não cabemos, não somos valorizados e não nos sentimos realizados. Tudo isso em uma obra curta e com escrita magistral.

Essa segunda obra da mesma edição que contém • Sargento Getúlio (resenha no post anterior) • tem 5 contos sobre o a vida...
17/02/2026

Essa segunda obra da mesma edição que contém • Sargento Getúlio (resenha no post anterior) • tem 5 contos sobre o a vida e as pessoas por todo canto, mas principalmente sobre o nosso país surreal, em toda os sentidos.
São histórias e personagens absurdos, mas que a gente consegue facilmente relacionar com o Brasil, por exemplo.

• VenceCavalo e o outro povo • tem sátiras inteligentíssimas, que revestem a nossa história, nosso estado de espírito, cultura e modus vivendi que realmente até hoje não mudou (e isso é bom e é ruim).
João Ubaldo vai do tradicional ao popular na linguagem, com maestria. E sempre deixa a sua marca de trazer as temáticas social e política e falar sobre comportamento, manipulação, corrupção, (falsa) moral e costumes. E neste caso, utilizando de muitas metáforas, já que durante o período nebuloso que passávamos (década de 70) tinha que ser tudo camuflado, mas João Ubaldo com a sua veia irônica e hilária, passava com suas histórias que pareciam absurdas, mas no fundo traziam muitas verdades.

Nesse livro, o riso é garantido. Um “viva” à literatura para e por isso também!
Salve João Ubaldo Ribeiro, um dos grandes escritores e jornalistas brasileiros!
A sua obra é incrível e contém dentre outros o clássico contemporâneo nacional ‘Viva o Povo Brasileiro’. Dos meus preferidos, temos ‘Diário do Farol’, ‘O Albatroz Azul’ e ‘O Feitiço da Ilha do Pavão’

Finalizei a parte de • O Sargento Getúlio • tocada com o dito, vê se pode. Coisas de João Ubaldo… só ele para me comover...
11/02/2026

Finalizei a parte de • O Sargento Getúlio • tocada com o dito, vê se pode. Coisas de João Ubaldo… só ele para me comover com uma espécie de jagunço, nesse caso, militar.

Getúlio é um “homem macho” que obedece sem pestanejar, racionar, muito menos analisar e recebe a missão de levar um preso político, de Paulo Afonso (BA) até Aracaju (SE). A função se torna uma saga, que vive junto com Amaro- o motorista que o acompanha e que acaba sendo considerado um grande amigo, sendo este um detalhe importante e digo, relacionado ao momento em que o brutamontes me cativou- já que uma reviravolta na ordem acontece e uma confusão cheia de matança se instala. De cumpridor da ordem, o Sargento se torna inimigo da ordem… e não por sua culpa (e aí também, é fácil a gente acabar tomando o capanga como coitado).
Eles são de, e vivem, uma realidade paralela, sendo o livro recheado de elementos fantásticos e também é repleto de regionalismo, cultura nordestina, um linguajar peculiar, muita sátira, mas também emotividade e uma profundidade psicológica no universo do protagonista.

Essa epopeia é narrada pelo próprio e, além de acompanharmos essa trajetória surreal, mergulhamos nos pensamentos incessantes de Getúlio, nas reflexões e auto-análises, com sua visão bastante limitada e, com surpresa- pelo seu perfil bruto, preconceituoso- até encontramos nele uma pureza, mesmo por conta da ignorância e da teimosia em aceitar os fatos.

Eu adoro a escrita e as ideias de Ubaldo e esse livro é por demais interessante, inteligente, criativo e divertido, com um que de drama. Claro que recomendo, mesmo não sendo um livro fácil, assim como outras obras dele.
O livro rendeu ao autor o prêmio Jabuti (revelação, sendo este o seu segundo), foi e é um marco! Na década de 70, em pleno regime passar com um enredo, ideias e personagens desses

Tem adendo massa nos comentários, também sobre as fotos ✨

03/02/2026

Entre livros, rios e montanhas! Sempre algumas vezes, perto do mar. Mais uma dessa série, edição extra de fevereiro, para aproveitar esse mês tão colorido e animado e inspirar. Nos melhorares lugares para ser e estar e nas melhores companhias, com a natureza e as leituras. Meu canto preferido para ler, é ao ar livre!

Primeiro mês do ano e só de leituras ótimas, com 3 estreias de autores na minha vida de leitora (Haruki Murakami, Sandro...
01/02/2026

Primeiro mês do ano e só de leituras ótimas, com 3 estreias de autores na minha vida de leitora (Haruki Murakami, Sandro Veronesi e Cho Nam-Joo), mais um de Elena Ferrante (e o início da minha obsessão com a Tetralogia Napolitana!) e o retorno ao meu amado conterrâneo João Ubaldo Ribeiro (leitura atual).

Dos livros lidos, os preferidos são da literatura italiana. Ferrante me pegou em cheio com • A Amiga Genial• e a história de Lila e Lenu- me deixou totalmente arrebatada, viciada e já na ânsia de ler os próximos da saga. E Veronesi me cativou, me deixou ligada a • Setembro Negro • até hoje e esse ano ainda leio outro dele (O Colibri).

Foi um mês recheado, agitado, calmo, trabalhoso, tudo ao mesmo tempo, mas feliz, com caminhadas nas trilhas, banhos de rio e muitas leituras ao ar livre! Janeiro é época de Umbu e Seriguela! Também nunca catei, comi e distribui tantas mangas (maravilhosas, do meu quintal) como nesse tempo e também colhi carambolas do pé (também do meu quintal). Além de encontros e tempos passados com pessoas muito queridas, festa popular da cidade, muitas fofurices e bons tempos passados com minhas companheiras de 4 patas e um reencontro com meu Amor 🐾. E meu pai completou 93 anos!!! Coisas que podem ser e são simples, mas que fazem tamanha diferença no meu dia a dia e acredito que seja o que melhor compõe a vida- a atenção ao detalhes, a simplicidade e o prazer nas pequenas coisas.

No final ainda tem umas boas novas e mudanças. O caminho é para a frente e a cabeça é erguida. Como diz D. Raimunda, uma das benzedeiras de Lençóis.
Aláfia 🐚🐚🐚 Caminhos abertos

Esse é um livro com o estilo realista, mesmo sendo Haruki Murakami, um dos figurantes na turma do realismo mágico. Isso ...
30/01/2026

Esse é um livro com o estilo realista, mesmo sendo Haruki Murakami, um dos figurantes na turma do realismo mágico. Isso também torna esse livro muito interessante, pois mostra uma outra vertente do autor. Não tem uma profundidade tamanha, nas questões existenciais, é justamente real e a gente, até com facilidade se enxerga ali, naquele vazio de alguns momentos da vida.
Tenho para mim, que a percepção sobre essa temática e sobre os personagens, varia de acordo com idade e também com a experiência de vida, com a vivência mesmo e como cada um encara todos os elementos que tem o viver.

Dito isso, o enredo é sobre Hajime, que reflete sobre a sua vida o tempo todo, sempre algo lhe falta, o vazio é o que unicamente lhe pertence (e quando ele chega a essa conclusão e aceita, é uma das passagens mais bonitas). Ele parece ter tudo, saúde, família, negócio próprio e lida com que gosta- aliás, a música é um personagem a mais aqui e sempre acompanha Murakami, pelo que sei- mas não se sente pertencendo de fato a nenhum desses ambientes e sonha com o que não teve, com o que poderia ter sido e sempre resgata o que viveu. A história do protagonista é contada a partir dele adulto, mas nos mostra muito da sua infância e adolescência- filho único em seu país que numa época em que o comum era a média de três filhos- sempre inquieto com a sua caminhada.

O livro tem um mistério que nos prende e é belíssimo, com diálogos maravilhosos, muito bem construídos. As três mulheres envolvidas na vida de Hajime dominam isso e outras partes- aí é que, para mim, entra a força, o encanto e a sabedoria feminina- e me tocaram como as grandes detentoras de todo o poder. Já que essa é uma questão que aflige muitos e muitas dos que leem esse autor japonês, por entendê-lo como um tanto misógino. E realmente, essa leitura me causou chateação nesse quesito. Como também uma surpresa no universo da vida no Japão, onde ainda na contemporaneidade, há tanta discrepância de gênero.
O que eu também adorei, foi como o autor traduz muito nas sensações e coloca no olhar atento e profundo de Hajime, tanta poesia e lirismo. Recomendo!

É um livro simples, na minha opinião e para o meu gosto. Não é arrebatador, brilhante, etc, mas foi muito bom adentrar n...
24/01/2026

É um livro simples, na minha opinião e para o meu gosto. Não é arrebatador, brilhante, etc, mas foi muito bom adentrar na cultura sul coreana- distante para mim- principalmente na questão de gênero.

Kim Jiyoung, é uma millennial (ou seja, muito contemporânea) que deixa a sua carreira em potencial para cuidar da filha e da casa, como naturalmente se espera na sociedade coreana, tem sua história contada desde a infância. E assim, também é mostrada a história de sua mãe e das mulheres anteriores a elas, assim como a de outras mulheres também de seu tempo.
Acredito que tenha feito tanto sucesso, pelo formato interessante e pelo enredo, para contar a história de uma mãe, antes de tudo uma mulher, um ser humano como outro qualquer, tão exausta e frustada, que passa a ter comportamentos tão estranhos e inusitados, que é enviada ao psiquiatra, pois ninguém da sua família, entende as razões de suas atitudes… Mas, muito mesmo, por conta de escancarar tantos fatos e ocorrências sem rodeios (inclusive de importunação e abuso), de maneira dura e direta vindo de uma país com pessoas reservadas e resilientes.

A autora potencializa essa narrativa, ao mesclar esses relatos com dados reais, sobre as discrepâncias entre a vida de mulheres e homens no país, ainda em tempos tão atuais.

Foi uma experiência interessante e enriquecedora.

Ahh Elena Ferrante…! Mais uma vez me impactou com sua escrita, seu enredo e seus personagens. Acompanhar Lila e Lenu me ...
19/01/2026

Ahh Elena Ferrante…! Mais uma vez me impactou com sua escrita, seu enredo e seus personagens. Acompanhar Lila e Lenu me deixou apegada principalmente a elas, para além de alguns dos outros jovens.
Elas são duas amigas geniais, duas garotas brilhantes, inteligentes, vivendo a infância e a adolescência, em um bairro pobre Napolitano, de uma Itália pós-guerra. O que mais desejam é sair dali, desbravarem o mundo, mudarem de status econômico/social e poderem se livrar da miséria e violência do ambiente em que estão inseridas. Avançar nos estudos é a principal maneira que ambas acreditam ser a melhor, para se tornarem mulheres com outras possibilidades. Mas isso é absurdamente difícil. Isso molda muito a história.
E o ambiente forma muito uma pessoa. Seu caráter, suas possibilidades.

•A Amiga Genial• é a primeira parte da Tetralogia Napolitana (que conta a história delas até a velhice), por onde acompanhamos suas vidas até os 16 anos. Cada uma com a sua personalidade, seu rol familiar e a sua caminhada, que é muito realizada por esses dois fatores. Em meio à isso, muita coisa acontece.
O livro é bruto, tudo muito nu e cru, o profundo na natureza humana (sempre com a autora, mas esse é uma pancada, até pela época em que se passa a história, o ambiente escasso e difícil e suas mazelas). Mas a gente se apega mesmo assim, não pela brutalidade que não é gratuita, mas pela força da narrativa, pelas histórias de vida, pelos “entrelaçamentos”. Pela forma também como ela traz a verdade das relações e as questões de gênero

Nessa trajetória, existe uma amizade tóxica, co-dependência, baixa/alta autoestima, competição mesmo que disfarçada, uma o espelho da outra- e são tão diferentes- a lealdade que de certa forma não se quebra. Uma precisa da outra para ser, às vezes para se compreender, para conquistar, mesmo que isso não seja de todo bom. Uma existe através da outra.
Uma amizade tão complexa, real. Às vezes desconfortante e dolorida- vivemos com elas a complexidade que tem uma amizade. E vemos como a infância direciona boa parte do resto de nossas vidas.

A leitura só vai melhorando e fluindo cada vez mais. E dizem que só aumenta a qualidade nos próximos. Nao vejo a hora!

17/01/2026

Nunca sozinha, sempre bem acompanhada! 🌿 Entre livros, rios e montanhas 🙏🏼

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