12/09/2026
“Ele ouve o barulho de um doce sendo aberto lá longe, mas parece não me escutar quando chamo de perto.” Você já teve essa sensação?
Na avaliação clínica de crianças, especialmente naquelas com sinais de TDAH, esse é um relato muito comum. Muitas famílias chegam ao consultório preocupadas, mas o exame de audiometria está excelente. O que acontece, na prática, é que a criança apresenta dificuldade em compreender instruções em ambientes ruidosos ou em seguir sequências de comandos verbais.
Isso nos acende um alerta clínico importante para o Processamento Auditivo Central (PAC). Ou seja: o ouvido capta o som perfeitamente, mas o cérebro tem dificuldade em filtrar, organizar e dar significado a essa informação auditiva de forma eficiente.
Atenção e processamento auditivo andam de mãos dadas. É papel do fonoaudiólogo, junto à equipe interdisciplinar, investigar se as barreiras de aprendizagem e comunicação da criança vêm de uma falha atencional primária (TDAH), de uma dificuldade de processamento auditivo ou, como acontece frequentemente, das duas coisas juntas.
O diagnóstico preciso muda completamente a rota da intervenção. Compreender como o cérebro da criança funciona é o primeiro passo para reduzir a frustração diária e oferecer as ferramentas adequadas para a sua autonomia.
Se você observa esses desafios na rotina do seu filho, o acompanhamento especializado é fundamental.
Giselle Leivas | Fonoaudióloga (CRF 3 15556)