27/04/2024
EMPREGADAS DOMÉSTICAS
O Jornal GGN publicou antigo texto meu em que relaciono minha pesquisa acadêmica (e minha antiga militância), e o filme “Que horas ela volta? “de Anna Mulayert. Li recentemente o ótimo texto de Ivana Bentes em A Terra É Redonda, sobre o filme “A paixão segundo G.H.”, bela complementação do meu texto, que reproduzo abaixo.
Esse tema, enfim, sempre me sensibiliza. Embora as mudanças nas condições e relações de trabalho entre patroas e empregadas (uso o feminino porque é essencialmente uma questão entre mulheres) tenham mudado bastante, nas duas últimas décadas, a essência permanece.
Por isso ainda sinto certa amargura na alma, ao ler o bonito texto de Ivana Bentes (vide em A terra é redonda, 23/04/2024), comentando o filme “A paixão segundo G.H.”, de Luiz Fernando Carvalho, a partir de texto homônimo de Clarice Lispector:
“No quarto de Janair
Uma chave é entregue a G.H. pela empregada negra que vai embora, que abandona a casa elegante. Na entrada do quarto de serviço, o quarto de empregada, vemos colada uma pequena bandeira do Brasil.
O quarto despojado contrasta com todo o apartamento suntuoso, decorado com obras de arte. O quarto é cárcere: um armário e um colchão puído enrolado sobre um estrado de cama/catre. Estamos em Casa grande e senzala mais uma vez, narrativa atualizada nos apartamentos das classes médias e altas e nas formas assujeitantes dos serviços domésticos. Ao mesmo tempo G.H. entende que de dentro do quarto da empregada ela foi vista nos seus privilégios, na sua vida indiferente, na sua branquitude.
O filme fala do olhar: quem olha, de onde olha, quem me vê, como me vejo, o que vejo quando olho a empregada, a barata, o que vejo quando me olho.”
Lenira Maria de Carvalho (1932-2021) é esta doméstica que permaneceu na profissão por mais de cinquenta anos, e que faz um longo relato O post Dia Nacional da Empregada Doméstica, por Solange Peirão apareceu primeiro em Jornal GGN.