25/06/2024
ARTE E FUNÇÃO
A ARTE enquanto função (primordial), paira acima de tudo e todos.
Ou pelo menos deveria.
É algo que deve elevar. Está além de qualquer engajamento político / social.
A ARTE por si só se explica. De fato, não há consenso para uma obra de arte. Melhor dizendo, não deve haver. Sua explicação é sentida.
O que se apresenta hoje, é uma conjunção de fatores. Ora de teóricos em favor do mercado; ora de políticos tendenciosos, a favorecerem interesses financeiros / manipulatórios.
Os caminhos que o mundo contemporâneo apresenta é o que chamo de O GRANDE EQUÍVOCO. E aí se inserem as mais diversas produções “artísticas” contemporâneas.
O hábito que se cristalizou; “tornar a arte uma ferramenta de coação, persuasão, manipulação das massas”; reduziu-a à mais ínfima razão em sua produção / criação.
Tudo é banal, rasteiro, e cópia da cópia da cópia.
Desde há muito o homem tem feito, subjugá-la. Como arma para satisfazer seus egos e domínios de poder.
Na atualidade, quando vivenciamos a sociedade liquida, a arte também se liquefaz esvaziando-se de seus signif**antes. Tornou-se apenas desejos em ser ou parecer alguma coisa já experenciada / produzida. Os fins se sobrepõem à própria expressão artística. “Apenas” manipulação.
A representação máxima desses desvalores, está em se possuir uma obra de renome equiparada à artigos catalogados como de alto luxo do consumismo. Muitas vezes estes ultrapassam aos valores das primeiras.
É a desconexão total entre a criação das obras em si e o que se pretende enquanto massa manipulável. Os resultados são os já mencionados pífios.
Um pacote orquestrado pelo mainstream; a sedução do consumir / possuir.
Além do deleite, o questionar e o fazer pensar, a arte traz como mola propulsora elevar o ser. Alçando-o do ordinário a um nível de maior elaboração e consequentemente evolução.
Essa elaboração / evolução, não necessariamente passam por escolas ou didatismos. Também não os excluo peremptoriamente.
Quando no exercício, com tais interações, a ARTE atinge níveis não só intelectual como anímico. Trazendo o prazer da descoberta.
Daí sua necessidade básica nos lares, nas escolas, ruas, praças, hospitais, e em todos os espaços pois: “a vida é amiga da arte” já disse Caetano!
A verdade de um artista, se expressa em sua obra, atingindo o espectador sem o menor esforço. Apenas acontece a magia. Quando não acontece é porque não houve identif**ação, mas isso não é questão de talento ou sensibilidade e sim de identif**ação ou não. Quando essa mesma arte não faz parte do repertorio pré-existente de um ser, ela será uma referência de estudo e consequente aprimoramento de seu self, e sua atuação no meio social a que pertence.
Fazer do palco palanques políticos, movimentos sociais de gênero, raça cor ou credo...
Fazer do palco orgias coletivas, subvertendo oque de mais nobre os deuses nos deram como presente, é perigoso, é tacanho, é retrocesso.
Indigno-me frente à seres (tidos como) lúcidos, criativos que chamamos de artistas; quando defendem ideais políticos / partidários tão obtusos; polarizados. Aí, f**a difícil dissociar sua arte e sua personagem política. Pulgas a saltarem pela melhor oferta de alimento.
Nisso que transformamos nossa era, que com tanto “lixo” mostra seus sinais de esgotamento já há muitas décadas.
É necessária uma varredura nos cérebros e almas ocupantes da crosta terrestre.
Urge uma forma de renovação em todos os níveis mesmo nos que nossas “mentes brilhantes” não alcancem.
A arte perde seu sentido quando a produção em série faz ostensivamente uma tirania à produção lenta e gradual de uma mente genial a capturar sinais, senhas, que favoreçam
o polir, o azeitar, o inspirar para a aproximação com algo mais auspicioso humanamente.
SP JANEIRO 2019