06/10/2026
Fiz 35 anos em agosto e decidi fotografar-me.
Não porque estivesse numa fase em que me sentia particularmente bonita ou confiante. Talvez até pelo contrário.
Tinha sido mãe novamente há poucos meses e ainda estava a tentar reconhecer-me nesta nova versão de mim.
Uns dias antes tinha imaginado uma série de fotografias. Quando chegou o momento, já não me apetecia fazê-las.
Fiz na mesma.
Não fiz metade do que tinha planeado.
Não gostei imediatamente do que vi.
Vi cansaço. Vi sorrisos que me pareceram forçados. Vi uma mulher diferente daquela que tinha imaginado fotografar.
E comecei a pensar em todas as vezes que ouvi:
“Quero muito fazer uma sessão contigo, mas primeiro…”
Primeiro quero perder algum peso.
Primeiro quero sentir-me melhor comigo.
Primeiro…
Há quase sempre qualquer coisa que parece precisar de acontecer antes.
E talvez seja isso que estas fotografias me tenham feito questionar.
Quanto tempo passamos à espera de nos sentirmos prontas para guardar uma fase que já está a acontecer?
Eu não precisava de gostar de tudo o que via para reconhecer o valor de guardar quem eu era naquele momento.
Não precisava de deixar de parecer cansada.
Nem de voltar a sentir-me como antes.
Nem sequer de saber exatamente quem é esta nova Sara.
Continuo a descobri-la.
E talvez, daqui a uns anos, olhe para estas fotografias de uma forma muito diferente daquela com que as olhei naquele dia.
Porque talvez o valor de uma fotografia não esteja em guardar-nos quando finalmente nos sentimos prontas.
Talvez esteja em poder voltar, um dia, a quem fomos enquanto a vida acontecia.
visao