27/10/2026
📣 UGT solidária com manifestações pelo direito à habitação exige respostas concretas para os trabalhadores e as famílias
Lisboa, 27 de outubro de 2026 - A UGT manifesta a sua solidariedade com os cidadãos que saíram à rua, em várias cidades do país, para exigir respostas à crise da habitação, um problema que afeta cada vez mais trabalhadores, jovens e famílias de rendimentos médios.
Ter um emprego e receber um salário já não é, para muitos portugueses, garantia de acesso a uma habitação digna. O aumento dos preços das casas e das rendas, muito acima da evolução dos salários, está a comprometer o poder de compra, a autonomia dos jovens e a estabilidade das famílias.
Esta realidade é confirmada pelo estudo promovido pela UGT, «Responder à Nova Crise Habitacional em Portugal – O que podemos aprender com as políticas de habitação em contexto europeu», apresentado em junho de 2026, sob coordenação de Ana Drago.
O estudo, que analisa as políticas de habitação da Dinamarca, dos Países Baixos, de Espanha e de Portugal, conclui que Portugal registou a maior subida dos preços da habitação na Zona Euro na última década e apresenta o maior desfasamento entre os preços das casas e os rendimentos das famílias, num conjunto de 33 economias analisadas pela OCDE.
Entre as recomendações apresentadas destacam-se o reforço da habitação acessível, o apoio às cooperativas habitacionais, a regulação do mercado de arrendamento, a proteção dos inquilinos, a mobilização de imóveis devolutos e a revisão dos apoios públicos, garantindo que estes contribuem efetivamente para reduzir os encargos das famílias.
A UGT tem igualmente levado esta preocupação à Concertação Social. No âmbito do Acordo de Médio Prazo de Melhoria dos Rendimentos, dos Salários e da Competitividade, foi contemplada a possibilidade de utilização de verbas do Fundo de Compensação do Trabalho (FCT) para apoiar os custos e investimentos com a habitação dos trabalhadores.
Contudo, a dimensão do problema exige respostas mais abrangentes. Não basta aumentar os salários se uma parte cada vez maior dos rendimentos continuar a ser absorvida pelos custos da habitação.
Na sua Política Reivindicativa para 2026–2027, a UGT voltou a colocar a habitação entre as prioridades nacionais, defendendo que esta matéria deve integrar as discussões do Orçamento do Estado para 2027 e da Concertação Social.
As manifestações dos últimos dias reforçam a urgência de medidas concretas. A UGT considera indispensável um compromisso do Governo com uma política de habitação que articule investimento público, regulação do mercado e valorização dos rendimentos, assegurando respostas efetivas às necessidades dos trabalhadores e das famílias.
A UGT reafirma a sua disponibilidade para contribuir, em sede de Concertação Social, para soluções equilibradas e sustentáveis que garantam o acesso a uma habitação digna.