Tempos Cruzados é o programa desenvolvido pelo movimento associativo de Guimarães e tem como missão a valorização das “práticas, representações, expressões, conhecimentos e aptidões da comunidade local, reforçando a sua legitimação cultural e social”. Este projecto decorre da consciência do papel relevante que este movimento tem tido na configuração do espaço e do tempo cultural e artístico do con
celho, por um lado, e da percepção da necessidade de aprofundar o conhecimento e qualificar as diversas manifestações da cultura popular, por outro. A coordenação deste programa ficou a cargo de três associações do concelho: o Círculo de Arte e Recreio; a Associação Cultural Recreativa Convívio; e a Associação de Etnografia e Folclore de Guimarães, onde se integram 25 grupos de danças e cantares. O Tempos Cruzados – Programa Associativo inspirou-se na tese desenvolvida por Augusto Santos Silva, na década de 1990, que tinha como cenário a comunidade local de São Torcato e como um dos campos de análise sociológica o cruzamento simbólico dos tempos da ruralidade e da fábrica. Tempos Cruzados – Programa Associativo assume-se, pois, como um projecto de gestão cultural do território, multidisciplinar ao nível das áreas do conhecimento, incorporando conceitos e conteúdos da História, da Sociologia, das Artes, da Geografia, do Urbanismo, da Comunicação, da Organização ou da Economia. A programação teve como base um levantamento empírico das manifestações artísticas e culturais com representação e expressão no concelho. As danças e cantares tradicionais, o artesanato, a celebração dos ciclos da terra, o teatro de amadores, a poesia, a valorização artística de espaços associativos e o debate aberto são pontos de partida para um futuro que passa, necessariamente, pela promoção de sinergias e partilha de recursos entre as muitas associações locais.