Margarida Seco de Oliveira

Margarida Seco de Oliveira Haverá melhor profissão do que aquela que acompanha e ampara o percurso larvar até à grande tran

Haverá melhor profissão do que aquela que acompanha e ampara o percurso larvar até à grande transformação em borboleta?

Dra Mariana Pinto Leite, convidada da ALQUIMIA FEMININA,  fala-nos de como manter saúde na sociedade contemporânea, tend...
12/06/2026

Dra Mariana Pinto Leite, convidada da ALQUIMIA FEMININA, fala-nos de como manter saúde na sociedade contemporânea, tendo em conta as especificidades da mulher.
Assista terça-feira às 9h.

OUTROTROVERTIDO — a neurobiologia da presença em relaçãoNão somos apenas introvertidos ou extrovertidos.Essa divisão des...
05/06/2026

OUTROTROVERTIDO — a neurobiologia da presença em relação

Não somos apenas introvertidos ou extrovertidos.
Essa divisão descreve traços comportamentais, mas não explica um fenómeno mais subtil: a forma como o sistema nervoso se organiza em relação ao outro.

Surge aqui um terceiro eixo possível, o outrotrovertido. Um modo de funcionamento orientado não para o isolamento nem para a estimulação social, mas para a qualidade da ligação.

Do ponto de vista das neurociências, este padrão emerge da integração entre três sistemas:

1- Interocepção (ínsula)
Permite uma leitura fina do estado interno do corpo. O outrotrovertido sente-se em tempo real — e sente também como o outro o afeta.

2- Cognição social (córtex pré-frontal medial e junção temporoparietal)
Redes responsáveis por empatia, mentalização e leitura dos estados mentais do outro. Aqui, a relação não é superficial é uma forma de mapeamento interno do outro.

3- Regulação autonómica (teoria polivagal)
A segurança não depende de afastamento nem de hiperativação social, mas de co-regulação. O corpo organiza-se em função da qualidade do vínculo.

No plano intra-relacional, existe uma elevada consciência das variações internas — emoções, tensões, estados autonómicos — sem necessidade de fuga ou compensação.

No plano inter-relacional, não há busca por quantidade de estímulo social, mas por coerência relacional. O sistema reconhece autenticidade, presença e dissonância com grande precisão.

Este perfil associa-se a maior flexibilidade do sistema nervoso autónomo, maior integração entre redes introspectivas e sociais e maior sensibilidade à qualidade emocional do ambiente.

O outrotrovertido não é um ponto intermédio entre dois extremos. É um modo de consciência relacional: estar consigo, sem perder o outro e estar com o outro, sem perder-se de si.

Talvez a questão não seja: Sou introvertido ou extrovertido?
Mas sim: O meu sistema nervoso sabe permanecer em relação com segurança e verdade?

Porque é que, de repente, deixou de se reconhecer?As hormonas não influenciam apenas o corpo. Influenciam a forma como s...
05/06/2026

Porque é que, de repente, deixou de se reconhecer?

As hormonas não influenciam apenas o corpo. Influenciam a forma como sentimos, pensamos, reagimos e nos relacionamos com o mundo.

Quando os níveis de estrogénio e progesterona oscilam, também se alteram sistemas fundamentais do cérebro, incluindo neurotransmissores como a serotonina, a dopamina, o GABA e a noradrenalina, moléculas envolvidas no humor, na motivação, na serenidade, na energia e na capacidade de lidar com o stress.

Por isso, nem toda a tristeza é depressão. Nem toda a irritabilidade é falta de paciência. Nem toda a ansiedade nasce apenas dos pensamentos.

Existe uma profunda comunicação entre cérebro, sistema nervoso e sistema hormonal. O sistema neurohormonal funciona como uma orquestra: quando um instrumento desafina, todo o conjunto perde harmonia.

Perimenopausa, menopausa, ciclos menstruais irregulares ou períodos de grande sobrecarga podem alterar este delicado equilíbrio, refletindo-se nas emoções, no sono, na memória, na concentração e até na forma como nos relacionamos com aqueles que amamos e connosco.

Compreender esta ligação é compreender a biologia para cuidar melhor da mulher.

Porque, por vezes, aquilo que julgamos ser uma fragilidade emocional é apenas um organismo inteligente a tentar adaptar-se a uma nova realidade biológica.

E, para mim, a sabedoria inata sempre nos indica o caminho mais ajustado à nossa singularidade.

Há uma voz dentro de nós que não grita, não argumenta e raramente se impõe. Surge como uma sensação, uma certeza subtil ...
03/06/2026

Há uma voz dentro de nós que não grita, não argumenta e raramente se impõe. Surge como uma sensação, uma certeza subtil ou um impulso difícil de explicar. Chamamos-lhe intuição.

Durante muito tempo foi vista como algo misterioso ou irracional. Hoje, as neurociências mostram-nos uma perspetiva diferente: a intuição é uma forma sofisticada de processamento de informação que ocorre abaixo do limiar da consciência.

O cérebro e o corpo analisam continuamente milhões de sinais: experiências passadas, emoções, expressões faciais, linguagem corporal, alterações fisiológicas e padrões ambientais, muito antes de a mente consciente conseguir organizá-los em pensamentos. Quando esse processamento chega a uma conclusão, sentimos uma perceção imediata: a intuição.

A ciência demonstra que existe uma comunicação constante entre cérebro, coração, fígado, estômago, sistema nervoso, sistema imunitário e intestino. O organismo funciona como uma rede integrada de perceção. Muitas vezes, o corpo reconhece algo antes de o conseguirmos compreender racionalmente.

Os nossos antepassados dependiam desta capacidade para sobreviver. Antes da análise lógica, era a intuição que permitia detetar perigos, oportunidades e intenções. Em muitas tradições antigas e correntes místicas, esta perceção profunda era considerada uma forma de sabedoria interior e uma via de ligação à realidade para além do pensamento.

Talvez a pergunta mais interessante não seja se a intuição é cerebral, corporal ou espiritual, mas compreender que ela emerge precisamente da integração de todas essas dimensões.

A intuição parece ser uma linguagem da totalidade. Uma expressão da unidade biológica.
Um fenómeno onde memórias, emoções, percepções subtis, experiências acumuladas, estados fisiológicos e consciência convergem numa única mensagem.

Numa cultura que valoriza o ruído, a intuição continua a falar na linguagem do silêncio.
E, paradoxalmente, é muitas vezes nesse silêncio que encontramos as respostas mais profundas.

A intuição não é uma voz sobrenatural. É a sabedoria da nossa própria totalidade a comunicar connosco antes que o pensamento consiga alcançá-la.

03/06/2026
03/06/2026

Jornada da ALQUIMIA FEMININA 9 mulheres9 encontros 3 convidadas especiais Investigação, profundidade e transmutação!
29/05/2026

Jornada da ALQUIMIA FEMININA
9 mulheres
9 encontros
3 convidadas especiais

Investigação, profundidade e transmutação!

O ser humano é o universo a tentar compreender-se a si mesmo. Uma ideia ecoada entre Carl Sagan, Carl Gustav Jung, Vikto...
28/05/2026

O ser humano é o universo a tentar compreender-se a si mesmo. Uma ideia ecoada entre Carl Sagan, Carl Gustav Jung, Viktor Frankl e os antigos místicos.

Talvez o sentido da existência não seja “chegar” a algum lugar. Mas recordar quem somos por baixo das camadas de medo, condicionamento e sobrevivência.

A física quântica mostrou-nos que o observador influencia a realidade.
As neurociências mostram que o cérebro é plástico e moldado pela experiência.
Os místicos sempre disseram que a consciência cria a forma como vemos o mundo.

E se viver não for apenas respirar, produzir e sobreviver, mas transformar dor em consciência, experiência em sabedoria e presença em evolução?

Talvez o verdadeiro sentido da existência humana seja este: tornar-se suficientemente consciente para amar sem máscaras, criar sem medo e viver sem se abandonar.

Porque no fim, a maior tragédia não é morrer.
É passar pela vida sem nunca despertar para quem realmente se é.

E se alguns estados espirituais forem também experiências neuroquímicas de expansão da consciência?Existe uma molécula f...
28/05/2026

E se alguns estados espirituais forem também experiências neuroquímicas de expansão da consciência?

Existe uma molécula fascinante produzida pelo próprio corpo chamada anandamida.
O nome vem do sânscrito ananda, que significa “bem-aventurança”, “êxtase interior” ou “felicidade profunda”.

Conhecida por alguns investigadores como a “molécula da bliss” ou até o “neurotransmissor de Deus”, a anandamida pertence ao sistema endocanabinoide — um dos sistemas mais importantes na regulação:
do stress,
da dor,
da memória emocional,
da sensação de conexão,
da paz interna,
e da perceção consciente.

Curiosamente, níveis elevados de anandamida têm sido associados a:
estados meditativos profundos,
sensação de unidade,
expansão perceptiva,
criatividade,
transcendência,
diminuição do medo,
e experiências descritas como “despertar espiritual”.

Talvez o despertar não seja apenas uma experiência filosófica ou mística.
Talvez seja também uma reorganização neurobiológica profunda.

Quando o sistema nervoso sai da sobrevivência constante, o cérebro altera padrões elétricos, emocionais e neuroquímicos. O corpo deixa de viver apenas em alerta e começa finalmente a conseguir sentir presença.

E talvez seja isso que tantas tradições espirituais tentaram explicar: uma biologia em estado elevado de consciência.

Aquilo a que chamamos espiritualidade pode ser o cérebro, o corpo e a consciência a voltarem novamente a comunicar entre si.

O cansaço existencial é um estado neurofisiológico de sobrecarga prolongada dos sistemas de regulação do organismo.Podem...
27/05/2026

O cansaço existencial é um estado neurofisiológico de sobrecarga prolongada dos sistemas de regulação do organismo.

Podemos compreendê-lo como uma expressão de carga alostática elevada, onde o sistema nervoso autónomo permanece cronicamente ativado em modo de sobrevivência. O eixo hipotálamo–hipófise–adrenal mantém níveis sustentados de cortisol, enquanto o tônus vagal diminui, comprometendo a capacidade de recuperação, digestão, sono e regeneração.

As neurociências da consciência, associam frequentemente a uma hiperatividade da rede de modo padrão (default mode network), o circuito envolvido na auto-referência, ruminação e construção narrativa do “eu”. Quando esta rede se torna dominante, a experiência interna estreita-se, e a vida perde plasticidade perceptiva e sentido encarnado.

O resultado subjetivo é subtil, mas profundo: não é apenas fadiga física, é uma sensação de desconexão do sentido de viver.

A consciência, neste contexto, não é um conceito abstrato, é um fenómeno neurodinâmico. Quando há coerência entre interocepção, regulação autonómica e integração cortical, a experiência de vida reorganiza-se. O sistema deixa de apenas “aguentar” e volta a sentir presença com significado.

O cansaço existencial pode ser, paradoxalmente, um sinal de transição: do organismo em modo de sobrevivência para um sistema nervoso em busca de reorganização e sentido.

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