12/10/2026
E se aquilo a que chama “teimosia” for, na verdade, dificuldade em mudar o padrão cerebral de resposta?
Há pessoas que sabem que precisam de mudar.
Sabem que determinada relação lhes faz mal.
Sabem que determinado pensamento já não corresponde à realidade.
Sabem que aquela estratégia deixou de funcionar.
E, ainda assim, repetem.
Voltam ao mesmo pensamento.
À mesma interpretação.
À mesma reação.
À mesma escolha.
Não é necessariamente falta de consciência.
Pode existir dificuldade em flexibilizar.
🧠 A flexibilidade cognitiva é uma função executiva que permite ao cérebro atualizar estratégias, mudar de perspectiva, integrar nova informação e adaptar o comportamento quando as circunstâncias se alteram.
É aquilo que nos permite pensar:
“Eu acreditava nisto.
Hoje tenho informação diferente.
Posso rever a minha posição.”
A investigação em neurociências mostra que esta capacidade envolve redes cerebrais, particularmente circuitos pré-frontais e frontoparietais, que participam no controlo cognitivo, na mudança de estratégia e na adaptação ao contexto.
Mas existe o movimento contrário.
A rigidez cognitiva.
É quando a mente f**a excessivamente presa a uma determinada regra, interpretação ou estratégia, mesmo quando a realidade já oferece informação suficiente para a questionar.
“É assim.”
“Eu sou assim.”
“Não há outra maneira.”
“Se aconteceu uma vez, vai acontecer sempre.”
“Ou faço desta forma ou não faço.”
O problema é que uma estratégia que um dia nos protegeu pode tornar-se, mais tarde, aquilo que nos impede de avançar.
E aqui começa uma das dificuldades mais interessantes da prática clínica:
a pessoa pode compreender racionalmente o que precisa de mudar e, mesmo assim, continuar a responder da mesma maneira.
Porque compreender não é o mesmo que conseguir reorganizar uma resposta.
Quando um padrão foi repetido muitas vezes, o cérebro aprende.
E aquilo que foi aprendido pode tornar-se mais automático, mais rápido e menos dependente de uma decisão consciente. O córtex pré-frontal participa precisamente na capacidade de manter objetivos, avaliar informação e orientar o comportamento de forma adaptativa.