FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade

Como chegar Website

FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade Informações para nos contactar, mapa e direções, formulário para nos contactar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade, Quinta de Chão de Carvalhos, Rua das Alheiras, 960, Vila Nova de Gaia.

O FAPAS é uma organização não governamental, sem fins lucrativos da conservação da Natureza, constituída em 1990, vocacionada para a promoção de acções que visam a protecção e recuperação da fauna e flora selvagem

Uma coligação de sete organizações de defesa do ambiente alertou hoje que Portugal continua sem um regime jurídico espec...
29/07/2026

Uma coligação de sete organizações de defesa do ambiente alertou hoje que Portugal continua sem um regime jurídico específico que proteja eficazmente os carvalhais autóctones, como o da Mata da Albergaria, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, e exigiu legislação específica.

Dia Nacional da Conservação da Natureza

A VOLTA A PORTUGAL EM BICICLETA, A CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E A PROMOÇÃO TURÍSTICANão restam dúvidas que as grandes compe...
28/07/2026

A VOLTA A PORTUGAL EM BICICLETA, A CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E A PROMOÇÃO TURÍSTICA

Não restam dúvidas que as grandes competições de ciclismo, o Tour de France, a La Vuelta a España e a Volta a Portugal, entre muitas outras, ao divulgarem as paisagens das regiões que atravessam, contribuem para a promoção turística desses locais.

Mas o que atrai o espectador televisivo é a beleza da paisagem que envolve a Volta!

Ora essa paisagem só se pode manter se devidamente conservada a sua integridade, quer em área, quer em biodiversidade vegetal e animal. Por isso se criam medidas de proteção classificando as áreas como protegidas e sujeitando-as a regulamentos próprios.

O excesso de presença humana, o ruído, a poluição atmosférica, já para não falar nos fogos e na caça, são fatores de stress dos ecossistemas florestais que importa minimizar, de modo que não ultrapassem a capacidade de assimilação (capacidade de carga) desses ecossistemas.

Ora no caso da Volta a Portugal e da Mata de Albergaria o que está em causa não é tanto o impacto direto e imediato da passagem dos ciclistas e respetiva caravana, mas sim do precedente que se abre no Parque Nacional da Peneda-Gerês!

Como o Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (POPNPG) condiciona a prática de atividades desportivas e recreativas, abrir aqui uma porta seria escancarar o Parque a outras atividades que, isoladamente, eventualmente não seriam muito prejudiciais, mas, em conjunto, teriam, por acumulação, um efeito negativo para a biodiversidade.

O simples sobrevoo da Volta a Portugal, e de outras atividades, com helicópteros ou drones (condicionada pelo art.º 8º do POPNPG) pode colocar em risco imediato aves florestais em nidificação.

A Mata de Albergaria é um tesouro natural, tão importante como os monumentos nacionais que escrupulosamente o Estado Português defende.

"A Mata de Albergaria constitui o mais importante e mais bem conservado núcleo de floresta autóctone de Portugal, representando um dos melhores exemplos de bosques caducifólios atlânticos da região biogeográfica eurosiberiana no noroeste da Península Ibérica. Inserida no Parque Nacional da Peneda-Gerês, desenvolve-se ao longo do vale do rio Homem, abrangendo uma área superior a 1.500 hectares e correspondendo à mais valiosa mancha florestal do Parque.
A vegetação é dominada por extensos carvalhais de carvalho-alvarinho (Quercus robur), acompanhados por carvalho-negral (Quercus pyrenaica), vidoeiro (Betula celtiberica), azevinho (Ilex aquifolium), aveleira (Corylus avellana) e teixo (Taxus baccata), concentrando este último cerca de 90% da população portuguesa da espécie. Destaca-se igualmente o azereiro (Prunus lusitanica), relíquia florística do período Terciário. O estrato herbáceo apresenta uma extraordinária diversidade, incluindo narcisos-bravos, orquídeas, feto-do-Gerês, selo-de-Salomão, betónica-bastarda, martagão e numerosas outras espécies de elevado interesse botânico. Musgos, hepáticas, líquenes e trepadeiras revestem árvores, rochas e solo, conferindo à floresta uma atmosfera permanentemente húmida e revelando um elevado grau de maturidade ecológica.
A diversidade de habitats, associada à existência de linhas de água permanentes, afloramentos rochosos, bosques maduros e clareiras naturais, sustenta uma fauna extremamente rica. Entre os mamíferos ocorrem o lobo-ibérico (Canis lupus signatus), a marta (Martes martes), a lontra (Lutra lutra), o corço (Capreolus capreolus), a gineta (Genetta genetta), a toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus) e diversas espécies de morcegos protegidos. A avifauna inclui espécies florestais como o açor (Accipiter gentilis) e o falcão-abelheiro (Pernis apivorus). As linhas de água albergam anfíbios e répteis de elevado interesse conservacionista, entre os quais a saramantiga (Chioglossa lusitanica) e o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi), ambos endemismos ibéricos. Entre os invertebrados merece especial referência a vaca-loura (Lucanus cervus), um dos maiores escaravelhos da Europa, dependente da madeira em decomposição dos carvalhos maduros.
Para além da sua extraordinária biodiversidade, a Mata de Albergaria desempenha funções ecológicas fundamentais na conservação dos solos, na regulação do ciclo hidrológico, na protecção das cabeceiras das linhas de água, na fixação de carbono e na manutenção dos processos ecológicos característicos das florestas atlânticas maduras.
A Mata de Albergaria distingue-se ainda por conservar importantes atributos de floresta madura (old-growth attributes), como a continuidade ecológica, a elevada complexidade estrutural, a presença de árvores centenárias, abundante madeira morta em diferentes estados de decomposição e um sub-bosque altamente diversificado. Estas características, cada vez mais raras na Europa Ocidental, são reconhecidas pela Comissão Europeia como indicadores de ecossistemas florestais de elevadíssimo valor para a conservação da biodiversidade, conferindo-lhe uma importância científica, ecológica e patrimonial que ultrapassa largamente o contexto nacional.
A excepcional integridade ecológica da Mata de Albergaria justificou o seu reconhecimento como Reserva Biogenética do Conselho da Europa, distinção reservada a ecossistemas de elevado valor para a conservação do património natural europeu. Integra igualmente a Rede Natura 2000, a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés, reconhecida pela UNESCO, e beneficia do mais elevado nível de protecção previsto no Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
A Mata de Albergaria constitui, assim, um património natural de importância nacional e europeia, representando o mais relevante núcleo de floresta autóctone existente em Portugal. Os restantes bosques de carvalho do país são significativamente mais pequenos e, na sua maioria, muito mais jovens, não apresentando o mesmo grau de naturalidade, continuidade ecológica e maturidade florestal."(Texto do Eng.º Miguel Pimenta)

A argumentação, em favor da passagem da Volta a Portugal 2026 na Mata de Albergaria, usada pelo Senhor Presidente da Câmara de Terras do Bouro ("... se naquela estrada passam carros e motas todos os dias, a Volta a Portugal em bicicleta não pode passar porquê?") não faz sentido nem defende os interesses da economia local, que vive, em grande parte, do sucesso do nosso único Parque Nacional.

Uma coisa é a passagem de viaturas ocasionais (embora passem demais!), outra a passagem de um grande evento e a abertura de um precedente para eventos de idêntica dimensão e impacto, que podem colocar em risco esta pequena porção do território português a que o Estado decidiu e bem, atribuir um estatuto de exceção, classificando-o como Parque Nacional.

E o argumento, usado por alguns, dizendo que noutros países as provas de ciclismo também atravessam área protegidas é inválido pois, o problema não é atravessar parques nacionais ou parques naturais, mas sim atravessar áreas desses parques com um estatuto de proteção acrescido; ora, que saibamos, isso não acontece em paísis nenhum!

Finalmente, argumentar que os ambientalistas não são residentes no Parque Nacional e, como tal, não têm direito a opinar, seria como dizer que as leis da República não se aplicam a esse território ou que o orçamento de estado deve excluir despesas e investimentos na Peneda-Gerês!

Nestes termos, vivamente aconselhamos o indeferimento do pedido, e que seja proposto, à Federação Portuguesa de Ciclismo, um percurso alternativo para esta 7ª Etapa da Volta a Portugal, percurso esse que pode, a nosso ver, usar estradas do Parque Nacional, mas não atravessar áreas de conservação fundamentais.

Confiamos na ponderação da Senhora Professora Doutora Maria da Graça Carvalho, Ministra do Ambiente e Energia.

Quinta de Chão de Carvalhos, 23/07/2026

Assinalando o Dia Nacional da Conservação da Natureza, a coligação C7 alerta que Portugal continua sem um regime jurídic...
28/07/2026

Assinalando o Dia Nacional da Conservação da Natureza, a coligação C7 alerta que Portugal continua sem um regime jurídico específico capaz de proteger eficazmente os carvalhais autóctones, um património nacional verdadeiramente valioso que permanece ameaçado.

https://www.fapas.pt/c7-exige-legislacao-propria-para-proteger-os-carvalhais-portugueses-e-a-identidade-do-pais/

Comunicado da C7

Texto resumido:

A coligação C7 associa-se às iniciativas da Aliança pela Floresta Autóctone e ao movimento liderado pela Ordem dos Biólogos em defesa da criação de um regime jurídico específico para a proteção dos carvalhos autóctones e dos carvalhais existentes em Portugal. O enquadramento legal atual é claramente insuficiente para assegurar a conservação das espécies e dos ecossistemas que integram, cuja regressão continua a comprometer a biodiversidade, a resiliência do território e o património natural português.

Os carvalhais autóctones são verdadeiros “espécies-ecossistema”: criam condições de sombra, humidade, alimento e abrigo que sustentam centenas ou milhares de espécies de plantas, animais, fungos e microrganismos. Para além do seu papel na conservação da biodiversidade, contribuem para a resposta às alterações climáticas, quer através da sua mitigação, pelo sequestro e armazenamento de carbono, quer através da adaptação, promovendo a proteção dos solos, a regulação da água, uma maior resiliência à seca e a redução da severidade dos incêndios rurais. Entre os habitats mais vulneráveis estão os carvalhais galaico‑portugueses de carvalho-alvarinho (Quercus robur) e de carvalho-negral (Quercus pyrenaica), como os que encontramos na Mata da Albergaria no Parque Nacional da Peneda-Gerês, refúgio e reduto para inúmeras espécies. Entre as espécies em situação de maior vulnerabilidade está o carvalho‑de‑Monchique (Quercus canariensis), criticamente ameaçado de extinção, entre outros carvalhos nativos em regressão, como o carvalho‑negral e o carvalho‑cerquinho (Quercus faginea).

Apesar da sua importância histórica e ecológica, a floresta dominada por carvalhos representa hoje apenas cerca de 2,5% da área florestal nacional, neste que é o reflexo de décadas de fragmentação, substituição por monoculturas e ausência de instrumentos legais eficazes para travar a sua degradação.

O apelo da coligação C7 para que lhes seja finalmente concedida a proteção devida – um enquadramento legal específico – surge num momento particularmente decisivo. A aplicação do Regulamento Europeu do Restauro da Natureza e os avanços na proposta de Plano Nacional de Restauro da Natureza, que será apresentado por Portugal à Comissão Europeia em setembro, representam uma oportunidade única para inverter o cenário de degradação dos carvalhais autóctones e fomentar a sua recuperação. Esta preocupação é reforçada à luz da evidência científica recente e das projeções das alterações climáticas previstas para as próximas décadas, pelo dever de precaução face às mudanças profundas na distribuição futura dos carvalhais ibéricos, e que torna ainda mais urgente uma estratégia própria de conservação das espécies autóctones, e de restauro ecológico dos ecossistemas e da paisagem, com robustez e adaptadas às novas condições ambientais.

Paralelamente, e para que o efeito seja verdadeiramente positivo e duradouro, é essencial reforçar os instrumentos de gestão do território, criar incentivos económicos para proprietários que conservem floresta autóctone, valorizar os recursos e os negócios que a sua exploração sustentável permite desenvolver, e promover uma maior literacia ambiental sobre o valor destes ecossistemas, envolvendo escolas, universidades e centros de investigação.

Proteger os carvalhais é proteger as populações, o solo, a água, o clima, a biodiversidade e a identidade do país. É também cumprir compromissos ambientais e construir um modelo de desenvolvimento mais equilibrado, sustentável e seguro.

Texto completo:

Pela proteção efetiva dos carvalhais autóctones em Portugal

Os carvalhais autóctones são como “espécies-ecossistema”, criam condições de sombra, humidade, alimento e abrigo, sustentando centenas ou mesmo milhares de espécies pertencentes a diferentes reinos biológicos.

Lisboa, 28 de julho de 2026

A coligação C7 vem juntar a sua voz às preocupações manifestadas pela Aliança pela Floresta Autóctone, que tem vindo a alertar para a necessidade de reforçar a proteção da floresta autóctone em Portugal, com especial destaque para os carvalhais[1], e manifestar o seu apoio à iniciativa da Ordem dos Biólogos que defende a aprovação de um regime jurídico específico para a proteção dos carvalhos autóctones e dos carvalhais existentes em território nacional[2, 3]. Um estudo recente[4], revela uma reconfiguração substancial das florestas de carvalhos ibéricos impulsionada pelas alterações climáticas, em que as espécies menos tolerantes à seca, como o carvalho-negral (Quercus pyrenaica), se preveem progressivamente substituídas por outras mais resilientes, exigindo uma revisão das prioridades de conservação.

O apoio da C7 aos esforços da Aliança pela Floresta Autóctone e da Ordem dos Biólogos assenta no reconhecimento da necessidade de criar mecanismos de proteção aos carvalhos autóctones que sejam específicos e complementares aos já existentes, capazes de assegurar uma conservação mais eficaz dos habitats protegidos e das florestas de elevado valor ecológico, paisagístico e cultural que estas espécies compõem. Entre os habitats mais vulneráveis estão os carvalhais galaico-portugueses de carvalho-alvarinho (Quercus robur) e de carvalho-negral, como os que encontramos na Mata da Albergaria no Parque Nacional da Peneda-Gerês, refúgio de uma elevada biodiversidade. Esta posição contraria a perceção do presidente do ICNF, que numa audição parlamentar elaborou que o quadro atual de proteção é suficiente e que a situação dos carvalhais se encontra plenamente estabilizada ou em recuperação sustentada[5].

Importância dos carvalhais autóctones
Os carvalhais autóctones constituem um dos ecossistemas mais importantes de Portugal, desempenhando um papel fundamental na conservação da biodiversidade e no equilíbrio ecológico do território. Estes habitats sustentam uma grande diversidade de fauna, flora, fungos e microrganismos, formando redes complexas de interdependência entre espécies.

Para além de serem refúgios de biodiversidade, os carvalhais contribuem para a regulação do ciclo da água, a proteção dos solos, o sequestro de carbono e a mitigação das alterações climáticas. As suas características e elevada resiliência torna-os particularmente importantes na prevenção e redução dos impactos dos incêndios rurais/florestais.

Os carvalhais possuem ainda um relevante valor cultural, histórico, paisagístico e científico, constituindo parte integrante da identidade natural portuguesa. Os benefícios que proporcionam à sociedade ultrapassam largamente o seu valor económico imediato, justificando a adoção de medidas específicas que garantam a sua proteção, recuperação e valorização.

Situação atual: perda, fragmentação e desproteção
Apesar da sua elevada relevância ecológica, a floresta nativa em Portugal encontra-se hoje fortemente fragmentada e artificializada. Segundo o 6º Inventário Florestal Nacional (IFN6)[6], os povoamentos dominados por carvalhos ocupam apenas cerca de 81,7 mil hectares, representando aproximadamente 2,5% da floresta portuguesa. As manchas de carvalhais foram sendo substituídas por espécies exóticas destinadas à indústria da celulose, como o eucalipto[7]. Esta realidade contrasta de forma evidente com um passado não muito distante, em que espécies da família Fagaceae chegaram a dominar a paisagem[7]. Para além da expansão das monoculturas, o corte indiscriminado, a intensificação do uso do solo e a crescente pressão sobre os sistemas naturais contribuem igualmente para a degradação dos carvalhais, resultando no empobrecimento da paisagem, na redução da conectividade ecológica e comprometendo a regeneração natural.

Acresce que a ausência de um regime jurídico específico e verdadeiramente eficaz para a proteção dos carvalhais tem contribuído para a sua crescente vulnerabilidade. Embora os carvalhos sejam reconhecidos como elementos importantes da biodiversidade e do equilíbrio ecológico, continuam, em muitos contextos, desprovidos de instrumentos legais que possam travar de forma consistente a sua destruição, substituição ou desvalorização.

Necessidade de enquadramento legal específico
Perante a decadência deste valioso património natural, a C7 considera imperativo estabelecer um enquadramento legal próprio para a proteção dos carvalhais autóctones.

Esta legislação deve não só proteger árvores isoladas de elevado valor intrínseco, mas também salvaguardar sistemas ecológicos completos, incluindo bosques, bosquetes e corredores ecológicos. Importa definir critérios técnicos claros que garantam a conservação, a regeneração natural e o restauro destes habitats, com compromissos de longo prazo, assegurando simultaneamente a preservação de espécies autóctones em situação de maior vulnerabilidade, como o carvalho‑de‑Monchique (Quercus canariensis), criticamente ameaçado, bem como outros carvalhos nativos com distribuição fragmentada ou em regressão, como o carvalho‑negral, o carvalho‑cerquinho (Quercus faginea) e o carvalho‑alvarinho, cuja conservação depende da integridade destes ecossistemas.

Neste contexto deve ser evitada a reprodução de modelos legais ineficazes, baseados em critérios simplistas ou desajustados, que não reflitam a complexidade ecológica dos carvalhais nem assegurem a sua efetiva conservação.

Articulação com o Restauro Ecológico
A proteção dos carvalhais deve estar articulada com os instrumentos nacionais e europeus de restauro ecológico, nomeadamente o Plano Nacional de Restauro da Natureza e a Diretiva Habitats. Estes instrumentos reconhecem a necessidade de reforçar a conservação e recuperação dos carvalhais autóctones, em linha com as metas nacionais e europeias de restauro da natureza.

Os carvalhais configuram habitats de elevado valor ecológico e, em muitos casos, integram sistemas prioritários no contexto da conservação da natureza europeia. A sua recuperação e expansão devem ser assumidas como uma prioridade estratégica, contribuindo para o cumprimento das metas de restauro de ecossistemas degradados.

Neste sentido, a C7 defende a inclusão explícita dos carvalhais autóctones como alvo prioritário das políticas públicas de restauro ecológico, garantindo coerência entre proteção legal, financiamento e intervenção no território.

Gestão do território e estrutura fundiária
A realidade fundiária portuguesa, marcada pela predominância do minifúndio e pela fragmentação da propriedade, constitui um dos principais entraves à gestão sustentável da floresta. Um cenário agravado pelo facto de a floresta pública portuguesa representar apenas 3% do total da área florestal nacional.

Neste contexto, a C7 defende a implementação de mecanismos que promovam a gestão conjunta de propriedades, incentivando a cooperação entre proprietários e a criação de estruturas de gestão integrada. Instrumentos como contratos de comodato, zonas de intervenção florestal, áreas protegidas privadas e outras formas de agrupamento devem ser reforçados e operacionalizados.

Paralelamente, é essencial integrar a proteção dos carvalhais nos instrumentos de ordenamento do território, nomeadamente através da sua inclusão nos Planos Diretores Municipais, assegurando a sua salvaguarda a nível local.

Instrumentos económicos e financiamento
A conservação dos carvalhais deve ser acompanhada por instrumentos económicos adequados, capazes de valorizar os serviços que estes ecossistemas prestam e de compensar os proprietários pela sua preservação. Para além do valor nobre da madeira, os carvalhais sustentam outras economias como, por exemplo, o turismo de natureza, os cogumelos, os frutos silvestres, plantas aromáticas e outros recursos não lenhosos, indispensável para fixar as populações no interior do território português, o que reforça a necessidade de modelos de gestão mais diversificados e sustentáveis.

Ademais, os carvalhais contribuem para os serviços ecológicos essenciais, como a proteção do solo, a regulação da água, o sequestro de carbono e a manutenção da biodiversidade, criando benefícios económicos e sociais que se estendem muito para além da exploração direta dos recursos florestais.

Nesse sentido, importa criar fundos específicos de apoio à floresta autóctone, incluindo contributos provenientes de atividades económicas que exerçam pressão sobre o território. É igualmente essencial garantir mecanismos eficazes de monitorização e fiscalização, para assegurar que as medidas de compensação são aplicadas e mantidas ao longo do tempo, evitando incumprimentos recorrentes.

Educação e sensibilização
A mudança estrutural necessária passa também por uma transformação cultural. A C7 considera fundamental reforçar a educação e a ética ambiental, integrando o conhecimento sobre a floresta autóctone nos currículos escolares e promovendo uma relação saudável com estes ecossistemas desde os primeiros níveis de ensino.

É necessário corrigir perceções erradas e promover uma compreensão informada sobre a importância das espécies autóctones, incentivando uma relação mais próxima e responsável entre as populações e o território.

As escolas, universidades e centros de investigação devem assumir um papel ativo na disseminação deste conhecimento e na construção de soluções inovadoras para a gestão da floresta e não só para a valorização económica de certas espécies

Conclusão
A persistência do problema da regressão progressiva dos carvalhais em Portugal reside no facto de as mudanças na dinâmica dos carvalhos ibéricos – com uma eventual expansão de área com condições adequadas às espécies mais tolerantes à seca, como o sobreiro (Quercus suber) –, não se traduzir numa recuperação ecológica efetiva, mantendo-se os carvalhais fragmentados, pouco representativos e com proteção insuficiente.

A C7 considera que a proteção dos carvalhais autóctones é uma questão estratégica para o futuro de Portugal. Não se trata apenas de preservar árvores, mas de garantir a conservação de habitats protegidos e a integridade de sistemas ecológicos que sustentam o território, a economia, o património identitário e a qualidade de vida das populações.

O atual modelo florestal revela fragilidades profundas e uma dependência excessiva de monoculturas, tornando urgente uma reorientação baseada na valorização da floresta autóctone.

Proteger os carvalhais é proteger as populações, o solo, a água, o clima, a biodiversidade e a identidade do país. É também cumprir compromissos ambientais e construir um modelo de desenvolvimento mais equilibrado, sustentável e seguro.

Sobre a C7:

A C7 é uma Coligação de Organizações Não-Governamentais de Ambiente, com o objetivo de atuar a uma única voz junto da sociedade civil e das instituições públicas e governamentais na defesa, proteção e valorização da Natureza e da Biodiversidade em Portugal.

Assinalando o Dia Nacional da Conservação da Natureza, a coligação C7 alerta que Portugal continua sem um regime jurídico específico capaz de […]

A Fapas diz que, "depois de inúmeras atrocidades feitas e tentadas, faltava esta atividade", lembrando que a mesma está ...
16/07/2026

A Fapas diz que, "depois de inúmeras atrocidades feitas e tentadas, faltava esta atividade", lembrando que a mesma está "sujeita a parecer do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas".

A Fapas diz que, "depois de inúmeras atrocidades feitas e tentadas, faltava esta atividade", lembrando que a mesma está "sujeita a parecer do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas".

Saiba mais no link nos comentários.
⁠
(📸 Getty Images)⁠

14/07/2026

Comunicado de 14 de julho de 2026

𝗔 𝗩𝗢𝗟𝗧𝗔 𝗔 𝗣𝗢𝗥𝗧𝗨𝗚𝗔𝗟 𝗘𝗠 𝗕𝗜𝗖𝗜𝗖𝗟𝗘𝗧𝗔 𝗜𝗡𝗩𝗔𝗗𝗘 𝗢 𝗡𝗢𝗦𝗦𝗢 𝗨𝗡𝗜𝗖𝗢 𝗣𝗔𝗥𝗤𝗨𝗘 𝗡𝗔𝗖𝗜𝗢𝗡𝗔𝗟

A FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade, vem manifestar a sua profunda preocupação com as recentes notícias da passagem, no próximo dia 13 de Agosto, da Volta a Portugal em Bicicleta 2026 no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), classificado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera.
Nada nos move contra a Volta a Portugal, mas muito nos mobiliza em defesa do nosso único Parque Nacional: a biodiversidade, a paisagem, a cultura local, o turismo rural, entre muito outros valores que o Parque Nacional deve acautelar.
O site oficial da Volta a Portugal indica que a 7.ª etapa partirá de Vieira do Minho, passará pela Caniçada, Rio Caldo e Vila do Gerês, subirá à Portela de Leonte pela EN308-1 e atravessará depois a Mata da Albergaria, pela estrada florestal até à Portela do Homem.
Não serão só os ciclistas a atravessar a Mata de Albergaria, uma das áreas mais sensíveis do PNPG, mas também uma numerosa e ruidosa comitiva de acompanhamento constituída por automóveis, motos, altifalantes, sirenes, espectadores, etc.
Depois de inúmeras atrocidades feitas e tentadas no PNPG faltava esta atividade, de resto sujeita a parecer do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entidade que gere o PNPG.
Esta área protegida rege-se pelo Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (POPNPG) aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 11-A/2011 de 4 de fevereiro.
Ora esse Plano determina, no seu Artigo 8.º (Actos e actividades condicionados) que "[...] na área de intervenção do POPNPG ficam sujeitos a parecer do ICNB, I. P., os seguintes actos e actividades, quando realizados em áreas sujeitas a regimes de protecção [como é o caso da Mata de Albergaria]: "e) A prática de actividades desportivas e recreativas não motorizadas [...] bem como a realização de eventos desportivos ou recreativos, [...] excepto se previstas na Carta de Desporto de Natureza;", o que não acontece.
Não faltam locais montanhosos em Portugal onde esta competição se poderia realizar, mas acetaram logo numa área protegida, o que mostra, por um lado, a profunda iliteracia ambiental e, por outro, o enorme recuo das medidas e ações de conservação da natureza
A FAPAS solicita à Senhora Ministra do Ambiente e ao ICNF que divulguem publicamente o parecer que o ICNF deu (se é que deu!) sobre esta a travessia da Mata de Albergaria pela ruidosa Volta a Portugal em Bicicleta 2026.
É que, se o ICNF não deu parecer, então a situação é mais grave!

Quinta de Chão de Carvalhos, 14 de Julho de 2026
FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade

11/07/2026
23/06/2026

Caros Amigos, inscritos nas "Noites dos Pirilampos" da FAPAS,

Razões que ultrapassam a capacidade de atuação da FAPAS (Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade) obrigam-nos a cancelar a atividade "Noite dos Pirilampos", nos dias 26 de junho e 3 de julho, para a qual se inscreveu.

O problema que leva ao cancelamento, não permite o adiamento, até porque, entretanto, passa a época de atividade mais visível dos pirilampos.

Lamentamos ter de tomar esta decisão e tudo faremos para que a iniciativa regresse no próximo ano.

Apresentamos os nossos pedidos de desculpas.

Endereço

Quinta De Chão De Carvalhos, Rua Das Alheiras, 960
Vila Nova De Gaia
4415-154

Horário de Funcionamento

14:00 - 17:30

Notificações

Seja o primeiro a saber: enviamos-lhe um e-mail quando FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade publicar novidades e promoções. O seu endereço de e-mail não será utilizado para nenhum outro fim e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Partilhar