09/13/2021
Juiz manda Google apagar de site
hacker dados de diretora e de coronel responsáveis por sobrevoo em escola que puniu professora
Os dois seriam os responsáveis pelo sobrevoo na escola que puniu uma professora que criticou o presidente Jair Bolsonaro
E os apoiadores dele, em sala de aula.
A Justiça determinou nesta sexta-feira (10) que o Google apague da página do grupo de hackers 'EterSec', ligados ao Anonymous Brasil, os dados pessoais da diretora do Colégio Notre Dame de Lourdes, Marluce de Almeida da Silva, e do ex-coordenador do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) da Polícia Militar, Juliano Chiroli, divulgados na última terça-feira (7). Os dois seriam os responsáveis pelo sobrevoo na escola que puniu uma professora que criticou o presidente Jair Bolsonaro e os apoiadores dele, em sala de aula.
O G1 entrou em contato com Juliano Chiroli e com o Google Brasil, mas não obteve retorno até esta publicação.
Já a diretora da escola e a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) informaram que não vão se manifestar sobre o caso.
A divulgação dos dados de Marluce e de Juliano seria uma forma de manifestação feita pelos hackers contra a atitude tomada pela escola particular e pelo estado.
Na decisão, a pedido da diretora, o juiz Walter Pereira de Souza, do 3º Juizado Especial Cível de Cuiabá, diz que a manifestação foi excessiva e intimidadora.
"Além do anonimato, vedado pela Constituição (art. 5º, IV), quando agrega dados pessoais da parte alvo no respectivo texto, em aparente intimidação, ultrapassa o eventual direito de manifestação para adentrar no possível excesso", diz.
O magistrado determinou ainda a exclusão dos dados, em até 24 horas, de todas as plataformas que os repercutiram.
Na tarde desta sexta-feira, os dados pessoais da diretora e do tenente-coronel não estavam mais expostos na página.
Manifestação
Junto aos dados pessoais dos envolvidos no sobrevoo, o grupo de hackers divulgou uma nota afirmando que a punição à professora que criticou o presidente foi exagerada e classificou como "esquisito" o discurso de 'escola sem partido'.
"A politica é algo inerente à nossa existência. [...] Não há dúvidas que profissionais da educação também têm suas preferências politicas, mas daí assumir que exista alguma doutrinação é um pouco exagerado. E no caso da extrema direita, é o exagero que aconteceu no último dia 2 de setembro que mostra como é a 'escola sem partido' que eles querem", diz.
O grupo disse ainda que o sobrevoo após a punição foi uma tentativa de "sufocar os ideais defendidos pela professora em questão".
"Tendo a diretora tomado essa atitude, acaba trazendo o sistema da politização partidária (em específico, a extrema-direita), para órgãos de educação. É grave a situação, uma vez que as instituições de ensino devem formar alunos em uma realidade sóbria e crítica", afirma.